LUIZ GERALDO MAZZA
Como sempre o esperado
Por quatro votos a dois (Bonilha e Hervig), o Tribunal de Contas deu como aprovado, ainda que com restrições sérias, o balanço do governo Requião-Pessuti. Deu o esperado: nos últimos anos tem havido votos negativos, o que não ocorria antes, o que não deixa de ser um progresso. O ritual é assim: elencadas as irregularidades e as ressalvas, afirmado o princípio da melhor doutrina, não botam o governo em segunda época.
É esperar demais que os tribunais de contas estaduais se espelhem na conduta do da União o tempo todo atento no trabalho fiscalizatório, volta e meia operando diligências constrangedoras aos setores monitorados. A tradição é de viva conivência ao gosto da sociedade cartorial.
É que enquanto os setores técnicos e também o Ministério Público (que no caso em tela pediu formalmente a desaprovação) agem com mais rigor, a decisão final cabe ao plenário submetido ao filtro político, inevitável. Com essas formas de acomodação fica expresso que a transparência é impossível.
E o furo previdenciário?
O governo empurra com a barriga seus débitos com a Paranaprevidência que era até o fim do exercício passado de R$ 3,4 bilhões. Um dos diretores que falou no descompasso foi obviamente demitido, mas também referiu-se a aplicações dos recursos pouco ortodoxas. E pelo jeito vai continuar assim, embora o governador já tenha sinalizado que pretende adotar o pragmatismo nos investimentos do fundo de pensão do funcionalismo estadual no mesmo nível da renegociação das folhas de pagamento com o Banco do Brasil que renderam R$ 500 milhões. É o que se espera. Do jeito que está se continuar assim afundam a Paranaprevidência que pelo jeito está com um patrimônio meramente virtual, gráfico, fungível.
Não custa lembrar que o Ipê, Instituto de Previdência do Estado, quebrou justamente porque o governo não pagava a sua contribuição, tal qual se repete agora.
Na ata
Degravações da ata do Conselho da Autoridade Portuária confirmam a referência ao intento da APPA em transferir responsabilidades da dragagem à União e em consequência o risco de o drama persistir até 2.013.
Memória
Ontem foi dia de rememorar as bombas contra os professores de 1988, governo Alvaro Dias. Desde então a trajetória do senador se tornou complicada, tanto
que ganhou no ''olho mecânico'' de Gleisi Hoffmann. A ação dissuasória da PM foi inevitável pela aproximação ao Palácio Iguaçu e com perspectiva clara de invasão que acabou transferida para a Assembleia Legislativa em manobra da Anibal Curi e Anibelli, um caso claro de descompressão, inteligentíssimo.
Folclore
Engraçadinho vê Emílio de Menezes em loja de produtos avícolas e faz o trocadilho ''É milho!'' ao que o poeta replica ''não se evada'' (cevada) e fazendo-o sentar-se ''sente-io'' (centeio).





