PMDB estropiado
  Ao liberar-se da atuação centralizada de Requião e decidir-se por um convívio frutuoso com o governo de Beto Richa, o PMDB perde vitalidade em Curitiba, onde já ia mal, mas ganha alguma densidade em cidades interioranas onde pode eleger prefeitos e vereadores. É evidente que a candidatura Rafael Greca tinha um sentido de mero teste, já que o público tem demonstrado não aceitar a aproximação dele com o grupo que antes combatia, visível no fato de não eleger-se deputado estadual. Quem acaba isolado é o maior eleitor, ainda, do partido, Roberto Requião que assumiu o comando municipal, mas encontrará resistências no estadual e até em alguns municipais.
  Por maior dispêndio de energias, uso excessivo do twitter e de ironias como o demonstrou aos adesistas, Requião não vai controlar o seu isolamento, a não ser que passe a desempenhar algum papel nacional na sua atividade senatorial.

Poder monolítico
  Há um risco bem calculado na base aliada ‘‘bombada’’ decorrente da sua perspectiva de tudo poder fazer na garantia da maioria: o de as circunstâncias econômicas, da conjuntura mundial e brasileira, não favorecerem, como vinha acontecendo, as intenções do Palácio das Araucárias. Um dos sinais está presente: a queda significativa na arrecadação do ICMS no primeiro semestre e que já fez soar o alarme da emergência, acenando dias difíceis. Como o orçamento é uma peça de ficção, a gestão estadual terá extremas dificuldades em tourear a contingência negativa.
  Tudo passa a depender dos investimentos estrangeiros e nacionais que aqui serão estimulados e num momento em que a crise desaconselha muita esperança nesse particular até porque o próprio STF já deixou claro que não concorda com a guerra fiscal, ainda tolerada, mas anatematizada como inconstitucional.

A presença irônica
  A rigor o Paraná voltou a ter expressão nacional, inclusive três ministérios, numa escalada semelhante a dos tempos heróicos do neysmo. No passado é verdade que perdemos terras agricultáveis para a construção de usinas, mas havia alguma reciprocidade em investimentos públicos e obras. Nesse particular estamos na dependência de um arranque ainda não havido mesmo com a badalação em cima do Programa de Aceleração do Crescimento. Obviamente a função missionária dos ministros paranaenses é de caráter nacional e de pouco sentido regional. Todavia se Gleisi Hoffmann aspira disputar a sucessão de Beto Richa terá que mostrar atuação regionalizada e com alguma capilaridade.
  O fato é que o governo estadual está muito forte politicamente a não ser que acabe, como o federal, enfrentando desgastes numa aliança agigantada e bastante contraditória na hora da partilha das benesses, se é que haverá.
  Ao PT, como se percebe, caberá a função oposicionista. A bancada não é grande, mas renhida o suficiente. Quando José Richa era governador a oposição tinha dois deputados - Airton Cordeiro e Luis Alberto Oliveira - e dominava.

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