Jogo pesado

Da mesma forma que tentou até a undécima hora manter o senador Osmar Dias como candidato à reeleição de sua faixa de apoios para ganhar sem riscos, Beto Richa faz de tudo o que for possível para ter todas as garantias de uma reeleição tranquila e que teria no pleito municipal do ano que vem, com a eleição nos principais colégios, de seus aliados ou partidários. A preocupação obviamente não é com o pleito presidencial de 2014, que deveria impor o raciocínio de que ao PSDB não haveria outra alternativa se não a de disputar especialmente as capitais com seus candidatos, o que obrigaria a uma reengenharia no processo local e de reversão praticamente impossível.

Aplica-se aqui a técnica do sufoco: a constituição de uma frente monolítica e capaz de assegurar a vitória no primeiro turno em Curitiba até para dissuadir aqueles que estranham a opção por um militante, Luciano Ducci, do PSB, grêmio que compõe a constelação do governo lulista.

Ruído na aliança

No momento há um ruído nessa aliança, ainda que aparentemente passageiro, decorrente das investidas do PPS, partido-chave do grupo richista, contra o aliado João Cláudio Derosso, presidente da Câmara Municipal. Isolá-lo como está acontecendo, pois é visível o constrangimento tanto de Beto Richa como de Luciano Ducci em tomar a defesa de Derosso, não é um bom caminho, daí terem os vereadores do PSDB decidido, por esponte própria, a ação retaliatória contra as vereadoras Renata Bueno e Professora Josete, já escancarada.

O PPS, partido de Renata e comandado pelo pai Rubens Bueno, quando dos atos de aproximação (vale dizer sedutora cooptação) com o PMDB por parte do governo estadual chiou lembrando a densidade de sua participação no processo ao longo do tempo e reivindica mais espaço justamente no instante em que deflagra a escaramuça contra João Cláudio Derosso. Um dos setores mais críticos da gestão municipal e o mais forte em recursos, a Urbs, está entregue a Marcos Isfer, elemento de destaque no PPS e que pode, em função das ocorrências atuais, se transformar em alvo de ataques também da composição aliada. Claro que se fará de tudo para impedir a desagregação, mas o próprio Derosso, que tem força e prestígio junto aos vereadores, não se conforma com a aberta deslealdade em andamento e com o silêncio do governador e do prefeito.

A perda consciente

Uma das hipóteses para turbinar a candidatura Gustavo Fruet no PT seria a disputa de um postulante kamikaze, que concorreria para perder e de tal forma que garantisse ao menos o segundo turno, o que não assentaria bem na figura de Vanhoni que já se saiu bem por três vezes, embora derrotado. Soluções como Tadeu Veneri e Doutor Rosinha talvez não garantissem votos suficientes para assegurar o segundo turno e um acidente de percurso poderia estar na eleição de Vanhoni para encarar Luciano Ducci e sua esquadra.

Há ainda a forma como o eleitorado verá a possível aliança Fruet-PT quando todos se lembram do papel do deputado no caso dos mensaleiros, veemente e justo.

mockup