LUIZ GERALDO MAZZA
Corrupção, razão de Estado?
O exagero tem função, na crítica ou na caricatura, pedagógica, mas diante do espetáculo que o Brasil está proporcionando em matéria de corrupção, após o lulismo é algo sem precedentes em nossa história. E cada vez que o PT é acuado em função das ocorrências, um dos seus porta-vozes mais credenciados, Zé Dirceu, afirma que estamos diante de um udenismo requentado, como se ele, depois do mensalão, que lhe rendeu cartão vermelho, tivesse moral para botar essa banca toda em cima de questões no mínimo constrangedoras.
Quem era, em passado recente, uma UDN vitaminada era o PT ao posar-se como o campeão da ética e da moralidade, virtude que os outros não tinham. Essa falta de noção de alteridade, do outro, típica do fascismo, como o demonstrou a filósofa de esquerda Hanah Arendt ao analisar a questão da liberdade e do pluralismo necessário.
Ao chegar ao poder em cidades e unidades federativas, aos poucos se encaminhou para o pragmatismo que derrubaria a principal bandeira: as aproximações com lobistas de padrão variado demonstrariam que sumira o diferencial. Da mesma forma como tirou o socialismo das referências doutrinárias, o que provocou defecções que geraram o PSOL, as alianças feitas em nome da governabilidade mostraram a perda de pudor e causa geratriz de patologias como as detectadas até agora em vários ministérios.
Não é crível que a governabilidade dependa da aliança do sim e do não como os realistas querem dar a entender. De realismo em realismo, dá para chegar brevemente à realeza, o que é apropriado à nossa falsa república.
O PAC é outro
O Plano de Aceleração do Crescimento, que se efetivamente houver com obras como a das hidrelétricas, hidrovias e transposição do São Francisco e o trem-bala, pode se transformar, se tudo continuar no mesmo ritmo de negociações, em Plano de Aumento da Corrupção. Se mesmo sem obras de relevo no Ministério dos Transportes houve tanta maracutaia, dá para imaginar que se elas acontecessem o afano seria ainda maior. Afinal, é extremamente crítica a situação brasileira em infraestrutura de transporte.
A existência de mediadores, como Ongs, Oscips e congêneres, como se deu também no Ministério dos Transportes, mostra como o corpo do governo está contaminado e às vezes mostrando-se às claras, como se deu num ministério menor, o do Turismo, e em nome, vejam a picaretagem, de qualificação de pessoal para receber visitantes do mundo inteiro na Copa e na Olimpíada. A apropriação de eventos para dar golpes não é novidade, embora assuste por ocorrer nas entranhas do poder público e isso tudo apesar das instâncias de controle interno e externo.
A dimensão da aliança, ao invés de tornar o governo mais forte, apequena-o no enfrentamento diário dos integrantes da partilha e agora se valendo até das votações no Congresso para impor a prioridade da maior fonte de safadezas, as tais emendas orçamentárias. Dá a impressão que somos embotados e tomados pela amnésia quando esquecemos dos chunchos dos anões do orçamento, prática que deveria ser bem mais antiga e que continua viva e sem sinais de exaustão.





