Vice, nem pensar
O presidente nacional do PT, Rui Falcão, andou por aqui e viu com simpatia a possibilidade de um apoio, em aliança, com o Gustavo Fruet, hipótese para segundo turno. Mas a ideia de que Vanhoni poderia ser o vice de Fruet foi repelida pelo próprio Ângelo até porque já foi cabeça de chapa por três vezes e se saiu muito bem, embora perdendo.
O que pode ocorrer é o Vanhoni se habilitar ao segundo turno, conquanto a quase certeza de que Fruet está mais cotado. Por aí se vê que a trajetória de Gustavo não estará livre de obstáculos, além de Beto Richa ter restabelecido contactos com Osmar Dias, o que é visto como tentativa de tirar espaço de Fruet, isolá-lo. Se agora o fervor das especulações está desse jeito imagine-se como ficará lá pelo meio do ano que vem.


Oblíquo
Mensagem de Orlando Pessuti está condenando a aproximação do PMDB com o PSDB e diz que isso equivale a beijar a ponta do chicote que nos açoita, o que é uma referência oblíqua à retórica de Alvaro Dias ''é como oscular o azorrague que nos vergasta''. Estamos em jogos florais antes da primavera.
O que há é o seguinte: a bancada peemedebista resolveu agir por conta própria com um mínimo de autonomia operacional. Daí as broncas de Pessuti e Requião, cujo líder foi o primeiro a transpor o alambrado.


Boulevar
Pelo jeito o boulevard prometido para o Batel começou no Jardim Botânico: um ataque a uma fortaleza do jogo-do-bicho. Essa contravenção é tão arraigada na cultura brasileira que normalmente a repressão é seletiva e acaba dando em nada. O maior batoteiro do Brasil é o governo com suas loterias, apostas, Megasena e equivalentes e que já deu aquele vexame do Valdomiro Diniz e o Cachoeira, o início da novela do mensalão.


Rotina
A falta de base científica da polícia está nos seus atos rotineiros: todo o cara apanhado em crime sexual é submetido ao DNA para ver se não se trata do autor do crime de Raquel Genofre até hoje sem esclarecimento. O procedimento é padrão e revelador de precariedades.


Folclore
O falecido repórter policial Taras Schener contava uma incrível da ações da polícia e bombeiros para ''içar'' cadáveres nos rios de Curitiba e numa delas o narrador de uma rádio dava os pormenores mínimos, como se fosse a narrativa de jogo de futebol e num momento o equipamento pesado movimentou a barcaça e o radialista, desequilibrado e girando, tascou de improviso: ''para, para, filho da mãe, que o barco vai afundar!''

Confrontos
De janeiro até agora, em confrontos, a polícia já matou 29, sete apenas neste mês. Estatística preocupante, embora animadora para os que defendem a pena de morte ou a repressão indiscriminada. Nem toda vítima tem condições para alegar abuso por causa da origem pobre e de seus antecedentes. Isso deve ser explicado quando da apresentação do pacote antiviolência do governo dia 18.

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