LUIZ GERALDO MAZZA
Engajamento a fórceps
Nova manifestação contra o presidente da Câmara Municipal de Curitiba, João Claudio Derosso, ontem na Boca Maldita e mais uma vez não se percebeu o tal frisson da indignação: os mesmos agentes, o discurso monocórdio, talvez uma evidência de fadiga do material, estresse, apatia profunda.
Uma lição elementar aos que pregam a imperiosidade da participação como meio de alterar costumes e melhorá-los é a de que não se faz de um catatônico, ora transformado em estátua, num convulsivo, a não ser que tenha a dança de São Vito. Única forma de romper essa acomodação seria a intervenção de instituições: afinal por que Londrina afasta vereadores, cassa mandatos até de prefeitos, como se deu com Belinati e pode ameaçar o atual, Barbosa Neto e na Capital isso não contece? Afastada a hipótese de que Londrina é mais politizada é discutível até porque é presa fácil de políticos de perfil populista, o que negaria essa ''inspiração'' maior, embora tenha tido como seus prefeitos gente com alinhamento de estadista como Hosken de Novaes, Milton Menezes e Wilson Moreira.
O Ministério Público, em Curitiba, sofre influências pesadas da sociedade cartorial: enlaces familiares, parenterais, permeiam os poderes de Estado, isso sem falar na disponibilidade onipresente dos políticos para o trabalho de mediação em favor dos interesses cristalizados. Essa contingência abrange tudo e uma das provas disso é a extrema dificuldade em levar o Legislativo a operar sem amarras, como se vê nas dificuldades encontradas por Valdir Rossoni até porque ele estava lá como primeiro ou segundo secretário naqueles atos ora inquinados de ilegais.
Comícios como exemplo
Um comício patrocinado inclusive pela OAB regional contra os atos anômalos do Legislativo estadual decepcionou pelo número de participantes, apesar da intensa promoção em todos os veículos do jornal ao rádio e a tv, passando ainda pelas redes sociais. O engajado (e isso tenho vivência pessoal) acredita que está como o Papa falando urbe et orbi, tal qual aquela rádio do Nordeste que fala para o mundo. Costumamos aliás inchar números de comícios como o fazemos em favor das nossas preferências partidárias. No das Diretas Já deram números incompatíveis com a realidade: até hoje o maior dos comícios foi o da sacada do Braz Hotel e de Getúlio Vargas na campanha eleitoral de 1950.
A massa ia da Praça Osório até a Dr Murici, aproximadamente 50 mil pessoas. Getúlio era a atração que dispensa artistas e sua presença era relevante porque se manifestaria a propósito da sucessão estadual entre os engenheiros Munhoz da Rocha e Ângelo Ferrário Lopes. Só nessa lembrança pela altíssima qualificação dos candidatos não há como fazer analogias com a atualidade.
Talvez o último confronto, e em que havia várias alternativas, foi o de 1960 entre Ney Braga, Nelson Maculan e Plínio Franco Ferreira da Costa, uma disputa acirradíssima de agentes testados e qualificados. Acomodações geográficas que passaram a existir com o posto de vice geraram a busca de um equilíbrio de representação no espaço como as vitórias de Paulo Pimentel contra Munhoz da Rocha por ter como vice Plínio Costa e a de Requião contra Martinez por estar com Mario Pereira na chapa, nos dois casos a junção do interior com a Capital.





