A primeira governadora
  Em recente encontro do Partido dos Trabalhadores o Jorge Miguel Sameck, homem da Itaipu, não deixou por menos: afirmou que em 2014 elegeremos a primeira mulher para o governo paranaense, Gleisi Hoffmann. A declaração se deu num encontro em que se discutia a eleição de Curitiba como transição imperiosa e implacável para a conquista do Palácio Iguaçu e em cima de uma possível aproximação com Gustavo Fruet, tese defendida abertamente pelo casal ministerial.
  Em um momento em que tanto Paulo Bernado como sua mulher, Gleisi Hoffmann, são alvo de pesadas críticas em decorrência de problemas do Ministério dos Transportes, a intervenção de Sameck tem um sentido de solidariedade e de quem está agregado ao grupo dentro do partido. E que também entende que a aproximação com Fruet é chave para o processo.
  Os problemas de Maringá e do Contorno, mais a atuação lobística de Teresa Nerone, afora a circunstância da doação da empreiteira de meio milhão na campanha senatorial (o que é, convenhamos, normalíssimo) de Gleisi são tecidos em vozes oposicionistas, que não são poucas, inclusive no interior do PT, para sinalizar comprometimento.

Ministério como degrau
  No Paraná, pelo menos na tradição histórica, a ida a ministério não garantiu ninguém, inclusive em figuras de maior peso, como Munhoz da Rocha e Ney Braga que, no caso, pretendiam aspirações nacionais. Ney voltou ao governo via colégio eleitoral e Bento acabou, em 1962, não se elegendo senador.
  Mas é verdade também que nunca houve um casal ministerial como agora e tão ligado ao comando nacional. Essa convicção dos pragmáticos é tão forte quanto a certeza de Beto Richa de que precisa, uma vez mais, de Luciano Ducci para se reeleger no governo. Pelo menos, no campo das aspirações e projeções, temos algo parecido com um empate. Se o ciclo virtuoso da economia brasileira prosseguir, haverá toda a razão para que os petistas acreditem não apenas na perspectiva regional, como também em uma reeleição, de Dilma ou a volta de Lula, no campo nacional. Apesar dos sinais fortes e desagregadores da inflação, mais a dificuldade séria do câmbio, que estaria ‘‘desindustrializando’’ o Brasil, isso sem falar na crise norte-americana à beira do colapso, todos os lados fazem o seu planejamento.

Até aqui, pouco
  Até aqui a agenda positiva de Beto Richa não deslanchou e, na verdade, não há tempo para isso sem considerar o grau das dificuldades encontradas com a discutida herança dos governos Requião-Pessuti, com a desagregada infraestrutura do Estado, que nunca chegou historicamente aos níveis atuais. No beija-mão de anteontem, na celebração dos 46 anos do governador, deu para perceber que sua cotação está alta, ao menos entre prefeitos, vereadores e deputados. É verdade que houve acenos na semana, como o programa de recape asfáltico, o que em tempo de vacas magras não deixa de ser significativo.

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