Vai dar em algo?

A impressão dominante, desde que iniciado o processo de devassas no Legislativo, é a de que tudo terminaria em nada. Seria uma obra redonda bem ao estilo da instituição que deitou e rolou sempre, sem que sofresse qualquer tipo de advertência do Ministério Público e do Judiciário e muito menos, deixemos bem claro, por parte da sociedade que gostosamente partilhava das anomalias e festejava com os premiados.
O presidente Valdir Rossoni anunciou ontem os detalhes das aposentadorias, 90% delas, irregulares por não terem passado sequer pelo crivo do Tribunal de Contas. O material foi encaminhado ao TC para análise, mas era de esperar-se que o grupo de procuradores que opera no caso formasse juízo de valor sobre as afrontas administrativas e seus efeitos jurídicos e as carcaterizasse. Quem foi esnobado, o Tribunal, é que vai assumir o encargo de dizer se esses atos são legais, nulos ou anuláveis ou até inexistentes. Acontece que essa turma está recebendo e crê que seria prejudicada em seu direito adquirido, caso uma suspensão de pagamento ocorresse. Mas haveria direito adquirido ou a hipótese de ato jurídico perfeito num caos institucional como esse?
A bagunça é tão grande e tão bem articulada que tudo pode dar em nada até por impossibilidade de correção.

Oito meses

A justiça de Paranaguá deu oito meses para a prefeitura assumir o sistema de água e esgoto privatizado. Deficiências se acumulam, infrações tanto da Águas do Paraná, a concessionária, como do antigo serviço da Cagepar marcam o quadro sinistro. Lançamento de resíduos no rio Itiberê continua.

Verde

Ontem foi a vez da turma dos verdes, a deputada Rosane Ferreira à frente, cercar o candidato, até aqui sem partido, Gustavo Fruet. A toada foi no sentido de demonstrar que o Partido Verde é a melhor solução. Teria por aqui a força de uma figura como Marina Silva em termos nacionais.

A lista

Em 1964 era um frisson cada vez que saia a lista de atingidos pela cassação ou restrição de direitos. Em Cuba o frisson, após a vitória da revolução, era o decorrente dos executados no paredón. Pois agora a mesma morbidez, maldosa como sempre, tenta imaginar quem está na lista dos aposentados irregulares e que poderá provocar risos mas também choro porque será inevitável que gente boa esteja no embrulho. Todos podem pagar pelos ímpios.

Folclore

Falei ontem do Passarinho: um dia, em Paranaguá, jogando pelo coxa, deu uma série de dribles no seu marcador até sofrer um tackling de luta livre que o prostrou. Rolava pela grama e a turma do Seleto apoiava o agressor e estava tudo assim quando certamente pintou um sentimento de culpa na massa e ela passou a preocupar-se com o jogador abatido. E foi nesse momento quase de catarse que ouviu-se uma voz fininha, típica de litorâneo: ''assopra no cuzinho dele que ele levanta!'' Tal qual liricamente a piasada, purgava a culpa, ao derrubar um passarinho e obtinha a ressurreição.

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