LUIZ GERALDO MAZZA
Inflação de candidatos
Em menos de 48 horas tivemos nada menos de três candidaturas a prefeito da Capital: a de Gustavo Fruet que com a ruptura se coloca como postulante, a de Luciano Ducci, preferido de Beto Richa e do sistema e a de Rafael Greca de Macedo, esta pelo PMDB e ungido por Requião. Por mais talento que Rafael venha demonstrar em suas intervenções, dificilmente se viabilizará com a resistência notória do público à sua mudança de lado e marcada por insucessos eleitorais.
Por mais que apareçam outros candidatos, inclusive os do PT como o doutor Rosinha e Tadeu Veneri, a eleição tenderá a ser plebiscitária como a de 1985 entre Requião e Lerner na única derrota do grupo dominante. A polarização foi de tal ordem que o candidato alternativo, o ex-governador Paulo Pimentel, embora figurando com Ivo Arzua como seu vice, teve votação de vereador.
Candidatos do sistema não perdem eleições em Curitiba, mas se Fruet colocar um discurso inovador em relação ao modelo que apresenta sinais de exaustão há a perspectiva de intensos debates e um foco mais apurado nas vulnerabilidades de Curitiba.
A pegada
A entrevista de Rafael Greca de Macedo teve um mérito: o de colocar valores em debate sobre a contingência de Curitiba e o modelo fazendo água. Retórico, transitando entre o barroco e o rococó, ele fala em salvar o passado de Curitiba. Não deixa de ser uma tese curiosa quando há falta de ideias.
Positivo
Alunos do Positivo venceram uma Copa do Mundo de informática nos Esteites. Um feito de metalinguagem, já que a organização tem como um dos seus destaques justamente a engenharia de sistemas e a produção de computadores.
Pecadilhos
Até hoje em toda história da Câmara Municipal só tivemos um caso escandaloso de racha entre vereador (o Custódio que por isso ficou meses custodiado na prisão) e assessores e que foi denunciado pelo Ministério Público. Enquanto em Londrina a sociedade e as instituições cassam prefeitos, afastam vereadores, aqui tudo permanece no melhor dos mundos como Candide de Voltaire. O episódio envolvendo o presidente da Casa, João Claudio Derosso, com a sua companheira e uma agência de propaganda é paradigmático. Mostra como Curitiba é impermeável à devassa. Já expliquei que a sociedade cartorial, enlaces parenterais, tráfico de influência dos três poderes de Estado e a disponibilidade de umn exército de mediadores evita que a modernidade chegue até aqui. Acho que o episódio é suficientemente forte para tirar Derosso da vice de Luciano Ducci.
Não esquecer do Derli Donin que detonou Osmar Dias por fatos menos relevantes.
Folclore
Marcha das vadias é a marcha de discriminados, mas espanta a burguesia e o objetivo é esse mesmo: chocar de qualquer jeito.





