Reedição de Lerner

Em termos de afetividade, Gustavo Fruet está hoje para Curitiba como se deu com Jaime Lerner. É verdade que este se valeu da pranchas do IPPUC para revelar-se como reformulador urbano. Já Fruet até agora não saiu do ''front'' puramente político com suas votações extraordinárias para a Câmara Federal e mais recentemente o surpreendente desempenho como o primeiro classificado para o Senado na Capital.
Agiu acertadamente na saída do PSDB, pois era visível a resistência ao seu nome notadamente da parte dos imantados pelos negócios que gravitam en torno do Palácio Araucária e da prefeitura. É argumento ponderável mas não suficiente para o êxito. Agora vem a segunda parte, a escolha do partido e daí a amarra possível para desequilibrar uma eleição que tende a ser plebiscitária. E que pode em seus enunciados fazer a virada que não foi possível com Osmar Dias.

Sem espaço

Apesar da importância que tem como líder de oposição na Câmara Alta, Alvaro Dias não tem espaço para outros voos no tucanato. Daí o seu lamento pela saída de Fruet como se fosse a dele próprio que corre o risco de não disputar a reeleição para o Senado por falta de vaga, o que o obrigaria a concorrer para deputado federal para não ficar sem mandato. O PSDB sabe do talento e da força de Alvaro, mas entende que o comando político da terra é de Beto Richa.

O que não pega

De Curitiba está demonstrado que aqui não pega o discurso da luta de classes alegorizada entre ''centro'' e ''bairro'', elite versus pobreza (a maioria percebe que a pobreza não é tão pobre e a elite não é tão distante). A última vez que a oposição ao sistema ganhou um pleito foi o de 1985 com Requião levando a melhor sobre Jaime Lerner por menos de 20 mil votos. Quais os fundamentos: comprometimento de Lerner e seus partidários com o regime militar; desconstrução articulada por um jornal engajado (Correio de Notícias) do urbanista, questionando, um a um, os seus apregoados valores e a vinda de 80 mil eleitores do interior para fazer ''boca de urna''. Havia ainda o prestígio de Richa, Alvaro Dias, Jaime Canet, Aníbal Curi, Maurício Fruet.

Bate-chapa

Teremos bate-chapa, enfim, na Fiep. Resta que as facções façam propostas bem articuladas e com visão abrangente de processo. Se tal se der haverá sucesso.

Folclore

Ontem foi a última sessão do legislativo antes do recesso. O recesso, pelo menos, nos dá a impressão de que por uns momentos, curtos é verdade, do retrocesso, que é a regra dominante quando funciona.

Traidor

Ademar Traiano, líder do governo, chamou Fruet de traidor. O Traiano, apesar do nome, não trai, fiel ao grupo no poder municipal e estadual. E quem faz acordos com partidos da base lulista como o PSB é o quê?

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