LUIZ GERALDO MAZZA
Treinamento doloroso
Agora andaram desfechando cargas contra paranaenses no governo federal: o estrilo do ex-chefe do DNIT, Luis Antonio Pagot, muito relacionado na terra, acaba alcançando a senadora Gleisi Hoffmann, ministra-chefe da Casa Civil, e o seu marido, Paulo Bernardo, das Comunicações. A saída de Pagot deu margem a uma censura da presidente Dilma Rousseff ao ministro Gilberto Carvalho porque ele teria sugerido que o afastado estava em férias, dissimulando portanto a intenção do governo.
O Paraná é uma unidade federativa treinadíssima nessa especialidade da política quanto a denúncias de corrupção. Recentemente no governo Collor de Mello vimos a bateria da mídia contra Alceni Guerra, a novela das Lojas do Pedro com a venda de bicicletas. O homem foi massacrado, seus filhos não suportavam os deboches na escola e depois se viu que nada daquilo tinha qualquer fundamento.
Em passado mais remoto tivemos a onda contra Moisés Lupion que virou até letra de música do Juca Chaves o que levou um grupo de frequentadores da Boca Maldita a tentar cortar-lhe o cabelo numa estada em Curitiba como revanche.
Rico ficou pobre
Quando Lupion entrou na política era um dos homens mais ricos do Brasil: era dono de dezenas de cartas bancárias, de fazendas, frigorífico, empresa de navegação internacional, fábrica de papel, serrarias etc. Ao deixar a política em cima dos padecimentos do golpe de 1964 quase ficou sem o Castelo do Batel por causa de empréstimos e que muitos anos depois seus netos recuperaram em árdua luta na justiça. Mas ficou, apesar dessa evidência, com a aura de gestor ímprobo.
É verdade que lhe atribuíram absurdos como o da venda de uma praça de Paranaguá na frente da Estação Ferroviária como ''terra devoluta'' quando tudo não passara de um grosseira falsificação de malandro e que ainda se deu ao empenho de vender a ''gleba''. O tom passional dado à campanha que desfigurava o ex-governador explica essa imagem distorcida como num procedimento em que se o acusava de ter ficado com dinheiro até dos hansenianos. É que o Procurador do Paraná no Rio de Janeiro depositava tais recursos em conta que não era do Estado, decorrente de desídia, mas não de intenção criminosa.
Vacinados, sim
Os desdobramentos da crise (mais uma das que vem em sequência com os governos do PT), pelo que já foi dito e o que ainda se poderá dizer, podem alcançar nossos homens em Brasília. Leve-se em conta ainda que as novas tecnologias da informação, notadamente as redes sociais, montam um processo cumulativo em cima das ações político-administrativas.
O tom de escândalo, quando esses furúnculos são puncionados, não dá margem à defesa até porque o povo, de uma forma geral, detesta os políticos e trata-os como comprometidos com várias formas de corrupção. O curioso é que quando essas pessoas tomam posse a bajulação os transforma em ícones todavia ao serem submetidos a linchamento moral poucos assumem defendê-los com o que muitas vezes se obrigam ao martírio.





