LUIZ GERALDO MAZZA
Um semestre apenas
Não há sentido em esperar muito de seis meses de governo quando as circunstâncias não favorecem. As sinalizações de uma nova postura diante de investidores são positivas como também os anunciados protocolos de intenções de cerca de 60 projetos de instalação ou ampliação de plantas industriais. Mas o público quer mais e dentre os que esperam muito mais está a oposição que tem tudo para um aguerrimento não existente na administração passada.
É claro que há decepcionados como os que esperavam uma ação de devassa contra o governo anterior em moldes semelhantes ao que, na gestão Ney Braga, Rubens Requião, seu secretário de Justiça, adotou contra Moisés Lupion. Ney transferiu àquela pasta a contundência para as expedições, muitas delas falhas como a ''operação jagunço'' desencadeada por batalhões da Polícia Militar e que se revelaria inócua nos seus desdobramentos com habeas corpus concedidos aos agrimensores presos na ocasião.
Mais recentemente Alvaro Dias também fez algum estardalhaço com prisões de servidores da gestão José Richa, igualmente absolvidos na justiça. De Ney Braga o gesto mais forte foi a demissão massiva de servidores e seguida de readmissão parcial bem na direção do princípio de Maquiavel: o de que o mal se faz de uma pancada e o bem em doses homeopáticas.
Não foi muito eficaz o diagnóstico da gestão Requião-Pessuti feito pela equipe de Beto Richa e sob a coordenação de Durval Amaral, da Casa Civil. Se ele fosse melhor detalhado haveria um mínimo de impacto. O fato é que Beto Richa mostrou não ser adepto de posturas beligerantes que afinal tanto o diferenciam do seu antecessor principal.
Herança maldita?
Como as dimensões exatas da herança, tida como maldita, de Requião não foram bem explicitadas só há um caminho: o de expô-las em momentos adequados em cada segmento e aos poucos revelar as vantagens já obtidas como a do aumento do valor das ações da Copel e da Sanepar, o ganho em cinco vezes mais pela cessão das folhas de pagamento do funcionalismo ao Banco do Brasil e ainda valer-se dos referenciais macroeconômicos como fazem todos os governos puxando para si méritos nem sempre válidos porque extrapolam o peso da influência do Estado nesse resultado. Por exemplo: a produção industrial do Paraná cresceu 3,8% no primeiro quadrimestre em relação ao mesmo período do ano passado.
Mas há objetivos alcançados pelo governo como o obtido pelo programa Paraná Competitivo que em menos de seis meses de criação alcançou investimentos próximos de R$ 1,5 bilhão.
PT, única oposição
É possível que venha do front político a melhor radiografia da situação com a CPI do Porto e que tende a ganhar calor em debates legislativos. É que o PT assume como sua uma batalha que cabe ao PMDB na defesa do governo anterior e esse é um aspecto bastante positivo para não repetir o vexame do massacre imposto a Lerner e que não havia postura de resposta. Isso tanto é verdade que o PT em peso votou contra as supersecretarias e o PMDB as acatou.





