Oposição mais atenta

Ainda que insuficiente para barrar as decisões da maioria governista estamos vendo que não apenas o senador Requião, mas alguns sedimentos do situacionismo passado, embora a indefinição do quadro político, expressam um tipo de oposição que inexistiu na gestão passada. Uma falha incrível dos vinculados ao lernismo que durante todo o massacre das acusações diretas do governador e mais ainda de apurações do Ministério Público e da Justiça nem se mexeram, o que operou como retirada, desistência.
Embora a existência de problemas indefinidos como o rumo de Gustavo Fruet bem como o divisionismo interno do PMDB, dobrável como se viu na votação desta semana e no racha entre seguidores dos governadores que antecederam Beto Richa, é útil para a prática democrática essa tensão, ainda que seja decepcionante o nível das discussões e o emprego de factóides repetitivos como o de que os dispêndios com as supersecretrarias chegariam até a 80% do orçamento quando não atingem sequer 2,5%.

Profissionalização

Uma das causas da perda de profissionalização dos quadros funcionais está na imensa cota de comissionados. O ideal seria que essas funções fossem exercidas pelo pessoal estatutário. É que para os políticos os comissionados são uma área de manobra e é mais comum um deputado ou dirigente partidário assumir uma pasta do que alguém do quadro, um profissional. Quando se dá preferência ao servidor estatutário, um profissional, os políticos, de um modo geral, chamam o ato de ''tecnocrático''. Tudo que tem uma medida técnica os horroriza.

Meio ano

Estamos chegando ao sexto mês de governo e as indicações de uma agenda positiva parecem distantes até porque fragmentárias como as propaladas inversões de capitais nacionais e estrangeiros em ampliações e construções de novas unidades. A ''venda'' da folha de pagamento dos funcionários ativos ao Banco do Brasil por R$ 500 milhões foi um feito excepcional se comparadado aos R$ 100 milhões recebidos por Requião. Resta agora uma negociação com a Caixa Econômica Federal para um recontrato pela exploração das folhas de aposentados e pensões em bases superiores às vigentes. O Tribunal de Justiça recebe R$ 50 milhões ao mês, mas aí entram as folhas de pagamentos e depósitos judiciais, estes uma fortuna.

Boemia

O futebolista boêmio, hoje execrado no Atlético, não era desprezado quando tinha talento no jogo. Zé Roberto foi a maior expressão nesse particular e jogou na dupla Atletiba. Só que ele saia de madrugada da boate, chegava tarde nos treinamentos, mas na hora do jogo decidia. Quem ousaria censurá-lo? Hoje os boêmios são apenas madrugadores e pouco identificados com a bola. Exemplo negativo é o Ronaldinho Gaúcho, bom de boemia e cada vez pior de bola.

Folclore

O mestre de Desenho, Pedro Macedo, coloca um cone para os alunos desenharem no Ginásio Paranaense e um deles, gaiato, faz um enorme pênis. O mestre observa, no falar lusitano: ''Peço ao gajo que desenhe um cone e ele me faz um enorme zepelin''.

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