Planejamento, urgente
  Espera-se que em curto espaço de tempo volte a operar a pleno vapor o sistema de planejamento do Paraná. Quando a sociedade percebe que as maiores inversões se dão na Região Metropolitana de Curitiba, aprofundando nossos desníveis, há as condições básicas para ser restabelecida, o quanto antes, a mística do planejamento. E hoje há um piloto categorizado, por sua experiência tantas vezes testadas, no comando das operações: Cassio Taniguchi, que sempre foi um elo forte da corrente que tocou tanto Curitiba quanto o governo estadual na gestão Lerner. Notícias como a do esforço das prefeituras e lideranças de Londrina e Maringá para atrair a Foxconn, complexo tecnológico de ponta de Taiwan, passam a fazer parte do cotidiano.
  Se há duas pessoas no governo que sofrerão fortes ônus políticos se o fosso entre a Região Metropolitana e as demais do Estado se ampliar são o governador Beto Richa, por sua origem londrinense (que deu e dá tanta contribuição para o adensamento industrial de Curitiba) e o secretário de Indústria e Comércio, Ricardo Barros, com raiz em Maringá, embora tenha sido bem votado para o Senado em todo Paraná. A tarefa é de reciclar o sistema, abandonado por várias gestões, pois a rigor a última vez que funcionou foi na gestão de José Richa e ainda assim temporariamente.

Os três ministros
  O Paraná foi abandonado, deixou de ter um governo formulador de projetos e por isso mesmo à margem dos investimentos nacionais. Basta lembrar o detalhe de que o governo da União ofereceu a construção do cais oeste no Porto de Paranaguá, sem qualquer contrapartida estadual, e a perdemos. Isso para citar um exemplo de um setor chave da infraestrutura submetido a um gerenciamento temerário, que aos poucos a CPI devassará como já o fizeram a Polícia Federal e o Ministério Público Federal.
  Pois hoje contamos com três ministros e sabemos que não poderão agir, por essa origem, com espírito regionalista. Todavia se soubermos produzir projetos com visão e abrangência brasileira, com a mesma constância do passado, eles poderão fazer a ponte necessária para a obtenção de recursos e sua realização.

Recuperar a pegada
  Não temos, é verdade, hoje como no tempo de Ney Braga, uma equipe ligada nessas intervenções, tal qual se deu em iniciativas que trouxeram a Refinaria da Petrobras para Araucária e que pleitearam a sediação aqui, e não no Rio Grande do Sul, do terceiro polo petroquímico do Brasil. Nosso estudo era o mais apropriado tecnicamente, todavia no espaço político perdemos a disputa com os gáuchos, que premiou a Refinaria Alberto Pasqualini, como aliás se dá sistematicamente. Como compensação liberaram a unidade de amônia e ureia, que mais tarde passaria à iniciativa privada.
  Urge, pois, restabelecer a sistemática do planejamento, sob doutrinação intensa e em cima de pesquisas e estudos científicos, para recuperarmos a pegada dos bons tempos da Assessoria do Pladep, Plano de Desenvolvimento Econômico do Paraná, e do nicho de operadores do extinto Badep, Banco de Desenvolvimento Econômico do Paraná, verdadeira usina de projetos.

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