A marcha valorizada

Mais do que a marcha de Mao-Tse-Tung ou ainda a da Coluna Prestes e aquela outra que precedeu o golpe (ou revolução, segundo brazilianistas) de 1964 com Deus e a Família pela Liberdade, estamos agora na expectativa da marcha pela descriminalização da maconha, afinal liberada pelo STF como decorrência do livre exame numa sociedade democrática. Esses sinais são importantes na medida em que evitam que haja bloqueio para assunto tabu como aborto por exemplo em que até pessoas de esquerda, como medo de reações religiosas, adotam a postura conservadora nas eleições.
Sugerir que discutir ''liberalização de drogas e sua descriminalização'' é propaganda do crime também seriam, aí incluídos, o debate sobre a eutanásia ou a propósito do aborto. Silogisticamente seriam enquadráveis. A descriminalização das drogas é um caminho adotado por países civilizados como a Holanda no que se refere à maconha tida como de menor efeito. É, portanto, uma hipótese de trabalho e capaz, segundo seus adeptos, de atingir a raiz do narcotráfico. Mas é evidente que aspectos culturais devem ser levados em conta: até que ponto em nosso país essa liberação poderia ser positiva ou quem sabe até agravando as dimensões do problema.
Grupos confessionais fazem esta semana manifestações contra as drogas e também hostilizando a decisão da Suprema Corte. Obviamente os confessionais têm mais condições de ganhar a batalha numérica das ruas tal qual a Marcha com Deus e a Família pela Liberdade mostrou a insignificância dos comícios das reformas de João Goulart. O que não quer dizer que estivesse com a razão.

Justiça

O Tribunal de Justiça decidiu que o ex-deputado Ribas Carli vai a júri. Se houvesse pesquisa daria também essa indicação. Em caso desses a justiça é julgada. O que também não quer significar que tenha sido o correto, pois aí o grito rouco das ruas seria a medida de justiça; o linchamento, virtude.
A defesa derrubou agravantes como o estado etílico do agente caracterizando o dolo como simples. Isso derruba e muito a pena.

Descuido

Episódios como o da cratera da avenida João Gualberto e da fissura do viaduto da Padre Anchieta revelam só uma coisa: ausência de fiscalização. Até o dia em que um prédio venha abaixo. Aí se ligam na certa.
Quando o Parque Pinheiros, condomínio em meio à mata, foi construído apurou-se que tinham entulhado as nascentes do rio Juvevê. Ecologistas chiaram.

Turismo

Entendidos estranham que numa fase de crise (evidenciada no refis) o governo municipal tenha despendido uma fortuna na promoção turística da CasaCor.

Folclore

No PMDB entendem que Fruet deve ser atraído, mas submetido a um debate sobre a cidade com Rafael Greca. Se Fruet ganhar, Greca é o vice, pois daí poderiam até recuperar o governo e a prefeitura como Beto Richa e Ducci. Essa turma acha que fica mais 15 anos no mínimo mandando.

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