LUIZ GERALDO MAZZA
A exaltação da aldeia
O Paraná obviamente não tem uma unidade cultural e nem o poderia pelo fato singelo de sua multifacetada diversidade. Enquanto o sul, hoje em mudança com as migrações internas, é tradicional, o setentrião se revela paulista-mineiro, o oeste-sudoeste é gauchesco e catarinense. Um dos filtros para perceber essa composição complexa é o futebol. Os maiores clubes do Paraná, Coritiba e Atlético Paranaense, não transbordam as lindes da Região Metropolitana e isso tira o cacife de organizações que já foram campeões de torneios nacionais.
Quando o Coritiba enfrentou o Vasco, agora recentemente, e o Atlético o São Paulo na final de uma Libertadores se puzéssemos numa balança as forças em questão perceberíamos uma distância em anos-luz. São Paulo é um dos maiores clubes do Brasil e o Vasco nada mais do que a segunda torcida do Rio, somente superado pelo Flamengo. O pior ainda é que mesmo torcedores dos dois times nem sempre colocam os paranaenses em primeiro lugar, pois revelam simpatias pelos times do Rio, São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. Há uma espécie também de horror ao provincianismo quando essa é uma característica comum aos centros mais cosmopolitas como se vê nos cadernos esportivos ou mesmo nos programas de rádio e televisão.
O fator político
Embora hoje tenhamos a garantia de que já não há por parte da CBF a disposição de ''melar'' a competição e desrespeitar a ordem de chegada somos débeis na questão política quando postos em confronto os nossos clubes com os dos grandes centros. Se o goleiro do Coritiba não falha ou se o árbitro assinala uma das penalidades máximas (houve duas, segundo o analista da Globo, embora a inclinação da Rede pelo Rio de Janeiro), uma consequência possível seria a derrota de Roberto Dinamite na eleição vascaína e a volta da turma do Eurico Miranda que mexeria com a correlação política na CBF. Até por isso - sem considerar a maior expressão do clube carioca, pela densidade da torcida e fulgor histórico - é de perceber-se a vantagem enunciada.
Isso é visível quando times cariocas jogam no nordeste ou em Brasília e se percebe que a maior parte do público torce pelo visitante. Aqui no Paraná se o coxa joga uma partida do torneio nacional em cidade do interior leva a pior como se viu na partida contra o Santos em Cascavel. Se fosse com um gaúcho, mesmo o mais fraquinho, Juventude ou Caxias, seria um massacre, lá ou em qualquer outro ponto do oeste-sudoeste. Da mesma maneira se daria no norte, como se viu em experiências do Paraná e até mesmo de um local como o Cianorte (goleou o Corinthians) e assim mesmo não tinha a maioria do público.
O Londrina, que chegou às finais do brasileiro e que venceu a Taça de Prata, ou o Grêmio de Maringá que levou o Torneio Norte-Nordeste-Centro-Sul, título nacional, têm mais torcedores de times nacionais, mormente paulistas, do que em primeiro lugar a favor dos locais.
Identificando esses fatores adversos e vendo aí também uma dificuldade de unidade cultural precisamos buscar meios de valorizar os clubes da terra, em nome de nossas potencialidades, apesar de condicionantes tão complexas.





