LUIZ GERALDO MAZZA
Leigo em planejamento
Não veio junto com a pertinência da globalização e de uma certa entronização do neoliberalismo, mas é visível, há muito, que o Estado é leigo em planejamento, tal o abandono desse técnica de coordenação. Um exemplo claro é a construção da ferrovia Guarapuava-Cascavel, que custou mais de US$ 300 milhões de dólares e acabou ligando o nada a coisa alguma pela circunstância de o trecho moderníssimo não se vincular ao resto da malha em direção ao Porto de Paranaguá nas mesmas condições operacionais.
Em cima, porém, desse ramal, importantíssimo, mas de baixa utilidade em termos de economia de escala (as composições que saem de Cascavel ao chegarem em Guarapuava são obrigadas à redução extrema dos vagões), houve muita viagem na maionese como as referências à continuação da linha em direção ao Chile no porto de Antofagasta que aliás apareceram com destaque na candidatura de José Carlos Martinez e posteriormente no governo Lerner.
Essa laicização do planejamento desmontou a estrutura da secretaria e atingiu duramente as rotinas do Ipardes. O último suspiro de planejamento foi na gestão de José Richa. O secretário Belmiro Valverde Castor Jobim atrelou o exercício das técnicas a pontos-chave da administração como o plebiscito nos municípios para indicar obras prioritárias e adesão a bandeiras como a da tecnologia apropriada e do senso de respaldo à pequena escala.
Um desses programas de fomento municipal servia para pesquisas de opinião no sentido de designar o que era prioritário.
Recuperação de rotinas
O planejamento, que anda irmanado à coordenação, deve manter sua rotina e levar a cada pasta e instituição (autarquia, empresa de economia mista) essa ordem de preocupação. Daí a necessidade, que já se impunha ao tempo de Canet Júnior, de uma aproximação forte entre as secretarias de Planejamento e a da Fazenda, aí, obviamente pelo domínio do fator financeiro para essa operação típica de coordenação.
O melhor integrante da equipe de Beto Richa em termos de conhecimento técnico e doutrinário é justamente Cassio Taniguchi, capaz portanto de recuperar o instrumental de planejamento há tempos esquecido. Como a documentação é ainda mantida sob algum controle resta fazer da área um núcleo operativo, capaz de identificar rapidamente as prioridades do Estado na infraestrutura, abandonada e precária como se vê no caso das rodovias (fora as pedagiadas e algumas também atingidas) e na questão portuária.
Para que essa visão seja compartilhada com setores técnicos e a iniciativa privada é mais do que necessário restabelecer conselhos como aquele que irrigava, nos anos sessenta, século passado, a Coordenação do Pladep, Plano de Desenvolvimento Econômico do Paraná. Se for necessária a convocação dos velhos mestres da área, hoje aposentados, isso será muito bom. Pena que também os chamados quadros técnicos tenham degradado no fluir do tempo e caído na apatia. Estudos analógicos com outras unidades federativas e países serão uma necessidade para apurarmos nosso estágio na especialidade.





