Democracia e Judiciário

Quando dos debates da Constituição de 1988 uma das inovações mais radicais foi a de incluir entre seus primeiros artigos o anseio da democracia direta. Até parlamentares do Paraná, como José Richa, eram adeptos da inovação que limitava o monopólio da representação parlamentar por formas diretas de participação que seriam reguladas pela Carta. Plebiscito e referendo bem como ''leis de iniciativa popular'' eram indicadores desse novo ciclo.
Mas quem se tornou mais ativo nesse cenário foi o Judiciário sob a alegação da imperiosidade de suprir o vácuo legislativo de demandas da sociedade, o que se tornou claro em numerosas intervenções como a greve de servidor público e também a provisão relativa ao nepotismo (Súmula Vinculante Número 13) e agora mais recentemente a deliberação sobre as relações de casais homossexuais e que ontem, não apenas em Curitiba, deram origem a rituais em cartório.
Não sei até que ponto os dois fenômenos favorecem ou distorcem a democracia. No Judiciário ativo há um risco: o de o poder ficar permeável ao populismo que já é a praga devastadora dos outros dois.

Paciência

Pelo jeito o presidente da Assembleia, Valdir Rossoni, está perdendo a paciência: atacou a jornalista Ruth Bolognese no ritmo da baixaria e foi à tribuna constranger o Procurador-Geral de Justiça, Olímpio Soto Maior, cujos irmãos e sobrinhos eram diretores e servidores da Casa e afastados estariam levando aquela autoridade a retaliá-lo, todos ligados ao clã dos Ruppel.
Não se faz omelete sem quebrar ovos. Não é só os milhares de fantasmas que estão sob risco, mas também os que pretendem exorcizá-los. Sabia, portanto, dos riscos da tarefa, mas está perdendo a paciência. Lembra o discurso de Marco Túlio Cícero ''quosque tandem abuttere Catilina patientia nostra'', até quando, Catilina, abusarás da nossa paciência? Quem deve ficar impaciente é o outro lado e não ele, ora no papel de justiceiro.

Catilina

Esse Catilina aí nada tem a ver com o atuante procurador legislativo Eduard Elias Thomé, que era apelidado de Catilina quando estudante de Direito.

Coletiva

Uma ação coletiva de multados da Diretran, comandada por vários advogados, dentre eles Elias Mattar Assad, pretende derrubar todas as puniçõs, inclusive pontos na carteira. Quem deveria examinar essa providência é o Ministério Público principalmente depois das revelações dos chunchos da Consilux. Aliás notificações pelo Diário Oficial foram derrubadas pela justiça, milhares delas. Às vezes o público ignora e acaba pagando o que não deve.

Folclore

Depois da cerimônia em cartório da aliança entre os líderes Toni Reis e David, uma fala do combatente do Grupo Dignidade: ''Agora eu e David podemos passear no Parque Barigui tranquilamente, não é meu bofe lindo?''

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