LUIZ GERALDO MAZZA
Falência de quadros
O episódio do burocrata do Instituto Ambiental do Paraná de Cascavel, de forma açodada demitido pelo governo, recoloca a questão da habilitação dos quadros no Paraná. A queda de qualidade é surpreendente porque ocorre justamente num momento em que essas inteligências são convocadas, e isso com extremo sentido de urgência, para encaminhar as opções adequadas ao estado como sociedade organizada. É tal o depauperamento desses contingentes que a impressão dominante é a de que o baixo clero deixou de ser uma exceção para tornar-se regra. E isso num momento em que o país e também o caso específico do Paraná carecem da intervenção da inteligêntzia.
Quando no regime militar, em função de a gestão centralizada ter maior raio de ação, houve a entronização dos corpos técnicos uma das críticas mais comuns estava centrada no risco do predomínio de uma tecnocracia. Mas é, não há como negar, o tempo dos maiores avanços da economia brasileira em escala chinesa, ainda que com o sacrifício das liberdades e o predomínio da repressão.
A falta de ideias no cenário brasileiro e paranaense, embora em momento de quase euforia com os ganhos da economia, ora ameaçada pelo retorno da hidra inflacionária, é reveladora de uma crise filosófica, de pensamento. No âmbito estadual e municipal ela se torna mais nítida e apropriada à caricatura porque os agentes são muito próximos.
Confronto impossível
Nos Brics dá para ver que se em algumas coisas, notadamente na democracia, o Brasil leva algumas vantagens sobre a China, a Índia e a Rússia leva um baile numa questão relevante, a educação. Dá para percebê-lo se fizermos analogia entre o que Brasil e China eram cinquenta anos atrás. A sociedade complexa que construímos carece da prioridade que se deveria conceder à educação e naqueles níveis que foram praticados por exemplo pelos chamados tigres asiáticos, dando-se o destaque maior claramente à Coréia do Sul.
A má qualidade vem da pré-escola, passa pelo primeiro e segundo graus e atinge a sublimidade no nível superior. Esforços de alguns políticos, entre eles o senador Cristovão Buarque (sua campanha presidencial chegou a ter um tom quixotesco pela forma como pregou a prioridade) e Darci Ribeiro, pelo jeito não conseguiram sensibilizar as maiorias.
O pior é que na atualidade, em função do predomínio de valores neoliberais, as funções típicas de Estado a saber Educação, Saúde e Segurança são as que revelam maior carência como se vê no Paraná e isso há bastante tempo onde além da escassez de recursos predomina a de talentos.
O estalo
Percebe no momento atual, especialmente no governo, a ausência de um pensamento orgânico e capaz de levado à prática romper com o imobilismo que ganha tonalidades constrangedoras quando confrontado com a expectativa generosa que marcou a vitória de Beto Richa. O ato de tomar pé da situação não implica em paralisia, como está ocorrendo. É preciso uma ideia articulada para operar como ruptura e que aqui teria o impacto de uma revolução. Pensar é preciso.





