LUIZ GERALDO MAZZA
A herança aflora
Como há um certo sinal de inibição do governo em denunciar a herança maldita que recebeu tudo passa a depender de ocorrências circunstanciais como a havida ontem pela manhã em Curitiba com a morte de uma senhora na fila do ônibus do bairro Boa Vista e cujo corpo permaneceu das 7 da manhã a uma da tarde sem atendimento e quando isso ocorreu a viatura do Instituto Médico Legal era com placa de Londrina, certamente cedida para enfrentar o caos do setor. Da mesma forma como se dera semana antes quando uma comissão da OAB constatou e denunciou a anarquia havida naquela dependência da Segurança percebe-se que a herança aflora a todo instante e de uma forma geral em todas as áreas.
A singeleza do fato não oculta a gravidade da situação e a essa altura se há gente do governo sorrindo, ainda curtindo a vitória eleitoral, é porque se trata de uma sequela de derrame ou algo neurológico equivalente e que marcou a face dessa pessoa por uma deformidade que pode ser transitória ou permanente.
Algo, enfim, como ''O homem que ri'' da literatura francesa.
E os foguetes?
Em passado recente proprietários de pomares, a cada momento que o tempo se prestava à formação de granizo, utilizavam foguetes para detonar o fenômeno em formação nas nuvens. Tratava-se de produto largamente comercializado da fábrica de dinamites, Britanite, (IBQ, Indústrias Químicas Ltda), subsidiária da CR Almeida. Estragos havidos ainda sábado na Região Metropolitana, em áreas de Curitiba e Fazenda Riogrande, que geraram estados de calamidade pública poderiam ter sido encarados caso tivéssemos um sistema de alarme preciso em matéria meteorológica.
DEM reage
Além de haver recorrido à justiça contra o novo partido, o PSD, o DEM havia marcado reunião ontem para postar-se diante do risco de evasão, que iria bem além do deputado federal Eduardo Sciarra. Enquanto o PT se liga contra as invasões, o DEM teve a evasão.
Prioridade
O senso de prioridade do governo é zero: contrata por uma fortuna serviço de avião e helicóptero e não adquire cinco ou seis ambulâncias de emergência para atender o Instituto Médico Legal. Para a OAB o governo prometera alugar 25 viaturas para enfrentar o problema. Está sem rumo.
Folclore
Praça Osório, anos 50: um casal transa no banco redondo ali existente. Avisam no Plantão o delegado Pedro Darci de Souza, o Mamão, do ocorrido. Ele vai até lá e o rapaz se declara ''imprendível'' porque era oficial do Exército. Mamão pede o documento e finge não enxergá-lo para acender um fósforo. Queima a carteira do milico e dá ordem aos ajudantes: ''Pau nele que acaba de dar baixa!'' E resmunga: ''fornicar tudo bem, mas na minha paciência, não!''
Decadência
O encontro do PMDB, orquestrado por Requião, só mostra uma coisa: a certeza da próxima (e essa pior do que anterior) derrota municipal.





