LUIZ GERALDO MAZZA
Que tal pensar?
Não há pensamento, que fuja da mediocridade, na política paranaense. De vez em quando pinta um raciocínio, uma reflexão que surpreende. Vamos a um texto de sete anos passados sobre ''não ao vale-tudo na política''. Ei-lo: ''Na política vale tudo? O feio na política é perder eleição? Para os cínicos, sim. Mas, o 'não' tem de ser uma das marcas da ação política neste século como forma de resistência e transformação.
Não há dúvida que a política é o espaço dos extremos e talvez a atividade mais brutalizada antes da guerra, principalmente para quem defende que os fins justificam os meios. Bobbio distingue a ética da convicção da ética da responsabilidade pelo diverso critério que elas assumem para avaliar uma ação como boa ou má. A primeira se serve de algo que está antes da ação, um princípio, cuja função é influir sobre a realização de uma dada ação. A segunda serve-se de algo que vem depois, do resultado, dando um juízo da ação com base no alcance ou não do resultado proposto. Essas duas éticas podem ser chamadas de ética dos princípios e dos resultados.''
Possível e desejável
''Essa distinção é relevante quando se sustenta que a ética do político é exclusivamente a ética da responsabilidade (resultados); que a ação do político deve ser julgada com base no sucesso ou no insucesso; que avaliá-la com o critério da fidelidade aos princípios é dar prova de moralismo abstrato e, portanto, de pouca consideração para com os negócios deste mundo. Quem age segundo princípios não se preocupa com o resultado das próprias ações: faz aquilo que e que aconteça o que for possível. Quem se preocupa exclusivamente com o resultado não procede com muita sutileza no que diz respeito à conformidade com os princípios: faz aquilo que é necessário para que aconteça aquilo que deseja.
Na ação do grande político, segundo Webber, as éticas da convicção e da responsabilidade não podem caminhar separadas. A primeira, nas últimas consequências, é própria do fanático. A segunda, totalmente afastada da consideração dos princípios de que nascem as grandes ações e voltada apenas para o sucesso - vitória eleitoral e vitória em convenção a qualquer custo (recorde-se o maquiavélico 'cuide o príncipe de vencer')- caracteriza a figura não menos reprovável do cínico. Sem ingenuidade, a verdade é a regra. Se prevelecerem a mentira e a dissimulação, adeus democracia.''
Vamos romper o mistério: o texto é de um dos raros pensantes da política brasileira, o ex-deputado federal Gustavo Fruet quando de sua saída do PMDB em discurso histórico no parlamento em 9-11-2004. Se no momento ele se encontra em dificuldades em conviver no PSDB, percebe-se que não é dele novamente o desvio na convergência das éticas de convicção e de resultados. Em política a opção notória pelo pragmatismo afoga qualquer ideia ou princípio e de repente faz dos que pensam uma espécie de ingênuo às voltas com moinhos de ventos do cavaleiro da triste figura e reproduzindo o impossível diálogo entre ''o iogue e o comissário'' na efabulação de Arthur Koestler. Força, Fruet.





