LUIZ GERALDO MAZZA
Revoluções existiram?
Em primeiro lugar a revolução, tida como última, foi a 31 de março ou 1º de abril, como preferiam seus críticos sutis? Durante alguns anos a revolução (ou contrarrevolução ou ainda golpe militar) foi celebrada. De repente perdeu o sentido comemorá-la e pelo jeito demorou menos do que as comemorações da Intentona Comunista de 1935 que nutriam, nas Forças Armadas, o clima da guerra fria como material ideológico de primeira. A de 1930 ainda há quem a comemore, mas é também precário o seu efeito na vida brasileira que nem a dos paulistas de 1932, supostamente constitucionalista, conseguiu revigorar.
De todas a que mais se aproximou de uma guerra civil, pelo terror praticado, foi a federalista de 1894 e que deu realce no Paraná em escala nacional, na resistência da Lapa, ao general Carneiro, na guerrilha de Gumercindo Saraiva. No Brasil os conflitos são amainados e isso talvez seja uma das deficiências de nossa formação. Quando vemos a rapidez com que os japoneses respondem aos terremotos e tsunamis reconstruindo estradas em uma semana que aqui levariam anos e ainda ao custo de muita corrupção é de perceber-se que o espírito de luta e de disciplina é forjado no sacrifício como se dá também com europeus, tantas vezes alcançados pelas guerras e convulsões internas, e com os ianques modelados especialmente pela guerra da secessão.
A entropia é implacável com fatos históricos, mormente quando são frágeis, ainda que decantados como épicos. A de 64, mais glorificada pelos perdedores.
Autofagia
Uma dose de autofagia bem curitiboca na história do cartum de Solda: acredita-se que tenha sido enviada por gente da praça para gerar a tensão. Mas também um afloramento do que há de pior, uma espécie de ''id'' da terra, em termos de obscurantismo. Há quem acredite que na Bahia em solidariedade ao artista toda a cultura local, do reggae às timbaladas, se manifestaria, da mesma forma que no Rio Grande do Sul, tradicionalistas e modernos sapateariam nas calçadas.
A censura queima como água viva: se acatada, um risco. Felizmente houve reação e muito bem colocada. Mesmo na revolta, curitibano se veste a rigor.
De novo
Bertoldi pediu licença de 125 dias para tratamento de saúde: da outra vez, ele viajou e voltou candidato à prefeitura com o prefeito de Nova York a tiracolo e a tese da tolerância zero para o crime.
Folclore
Se Gustavo Fruet já foi jantado pelo consórcio PSDB-PSB que problema há em haver um almoço no Palácio Araucária com Beto Richa e companhia?
Velhice
Guerra Junqueiro tratou até da ''velhice do Padre Eterno'', mas nada existe mais gerontocrata do que as tais ''juventudes'' dos nossos partidos. Lembro de Emílio de Menezes falando em ''feto barbudo nascido num cemitério''.





