LUIZ GERALDO MAZZA
O cerco aperta
Não bastassem ações do Ministério Público Federal como aquelas decorrentes da Operação Gafanhoto, prejudicadas em seu andamento por questões processuais, e do Estadual com os trabalhos do Gaeco, que resultaram na prisão do diretor-geral da Assembleia Legislativa e outros servidores, temos agora em curso uma ação contra dirigentes de Nelson Justus e Alexandre Curi para trás abrangendo comissões executivas anteriores. Falta de transparência e manipulação de atos oficiais geram a ação civil pública por ato de improbidade administrativa anteontem deflagrada pela Promotoria de Justiça de Proteção ao Patrimônio Público de Curitiba. Na verdade, tudo o que se pode apurar do histórico do nosso Legislativo abrangeria perto de quatro décadas de abusos com esses tipos de operação. Ainda agora o presidente Valdir Rossoni está encontrando enorme dificuldade em monitorar o quadro de pessoal por terem os arquivos sido deletados ou fraudados. De uma Casa em que houve até incêndio é possível entender que a normalidade ali é a exceção. O cerco aperta, mas o circo permanece o mesmo.
Ceticismo larvar
A confiança dos fraudadores do Legislativo é uma espécie de certeza de que tudo acaba em pizza por haver relações intrapoderes em troca de benefícios e gentilezas recíprocas no toma-cá-dá-lá de nomeações e de colocação de servidores à disposição de um ou de outro desses vasos comunicantes. É que são muitos os beneficiários das anomalias. Aliás, o comportamento dócil da mídia decorria de uma relação orgânica, pois tanto o Judiciário como o Legislativo, por incrível que pareça, pagavam salários de jornalistas. Nesse caso dou um testemunho pessoal: fiquei de 1964, quando fui atingido pelo Ato Institucional número 1, até 1970 sem obter emprego. Em 70 esta FOLHA, por indicação de João Milanez e Ubaldo Siqueira, gerente da sucursal de Curitiba, me convocou e também o jornalista Cunha Pereira me conduziu à TV Paranaense, Canal 12, por sugestão do diretor comercial Luis Alfredo Malucelli. Num determinado momento a televisão perdeu o seu diretor de jornalismo Raul Antonio Varassin e me convocaram para substituí-lo. Só que eu deveria receber o salário do Tribunal de Justiça, o que aleguei impossível porque já era funcionário público estadual (advogado) e estava punido e colocado em disponibilidade, enquanto respondia processo na Auditoria de Guerra.
A praxe absurda
Outra prova testemunhal, quando chefe de redação da sucursal da Última Hora sobre tais relações eu a obtive na ordem que havia para preservar a figura do governador (Ney Braga) e os três principais financiadores (Copel, Banestado e Badep) e com ordem de pau geral nos demais setores do governo para sustentar a aparência oposicionista e popular. Pecados nada veniais e hoje de certa forma não prevalecendo em função das novas realidades e da surpreendente atuação da RPC. Jornalistas foram inclusive da direção-geral como se deu com Clovis Stadler de Souza (um dos companheiros do processo dos jornalistas), Ênnio Malheiros, Fausto Luis Abry entre outros.
A esperança é que a ruptura havida dê nutrientes novos à ação do MP e que tenhamos denúncias bem mais consistentes do que as feitas na mídia como dá a entender essa mais recente ação.





