Quem cria mais fatos


No Paraná não dá para comparar, em termos de criação de fatos políticos, o desempenho do governador Beto Richa com o do presidente do Legislativo, Valdir Rossoni. Este é nessa perspectiva uma avalanche com a sua disposição de domar as feras do parlamento que desejam manter a tradição corrupta e ao contrário o governador nada fez que o colocasse em destaque, a não ser os negativos como os de revelar perplexidade com a situação financeira e com as filas no Porto de Paranaguá e sem mostrar empenho em devassar a craca da gestão passada.

Se uma das ações no STF emplacar, ainda que provisoriamente, Rossoni terá construído um capital político excepcional, enquanto se percebe que se Beto persistir na conciliação degradará rapidamente e ainda correndo o risco, tal qual se deu com Lerner, de passar à história como ímprobo.

É claro que Beto é, no momento, a maior liderança, isso é eleitor, do Paraná, o que também se dava com Requião e tivemos a prova na sua votação senatorial o quanto perdeu substância. Se esse é o argumento que o torna árbitro da decisão do PSDB no Paraná, especialmente na conveniência ou não de fechar as portas ao maior eleitor municipal, Gustavo Fruet, percebemos que o partido continua com as mesmas deficiências que o levaram no passado recente, em maioria, a apoiar Requião e que só não se consumou por intervenção do Diretório Nacional.

Rossoni concordou com Beto Richa na não intervenção no Diretório Municipal, achando o caminho traumático demais, o que representou recuo. O tema de o PSDB ter ou não candidato nas capitais, se é que pretende pavimentar caminho às eleições de 2014, é algo incontornável e pelo jeito a direção nacional se verá impelida a fazer, no mínimo, o aconselhamento nessa linha.

Lixo reluz

O lixo é algo que não precisa da mão do Rei Midas para virar ouro. Semana passada a Estre Ambiental, que já tem parte do serviço de coleta e de aterro sanitário em Curitiba, adquiriu o controle da Cavo, braço da empreiteira Camargo Correa, dona do pedaço. Com isso fica por essa absorção com a faca e o queijo na mão para dominar o sistema, ainda mais depois que Executivo e Legislativo de Mandirituba decidiram cortar as restrições para um complexo de deposição e aproveitamento industrial do lixo que ameaçava várias fontes de água do município, conforme a resistência dos ambientalistas.

Cheira mal

Curitiba só cheirava mal na estiagem: seus bueiros, ralos, bocas de lobo inundavam partes da cidade com suas pestilências. Pois agora os miasmas permanecem fortíssimos no centro da cidade mesmo com as chuvas intensas.

Tarifas

Luciano Ducci entra num período de desgastes programados: negativa a pressões de servidores da FAS e Guarda Municipal e consequentes mobilizações; reajuste da tarifa de transporte coletivo, comprovadamente acima da inflação e sequelas dos dramas decorrentes das enxurradas, prova de que a drenagem é precária. O carnaval entorpeceu, por instantes, os grupos que faziam pressão contra a alta das passagens, o que vai ser inevitável agora na Quaresma.

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