Conflitos necessários

Uma sociedade se mostra amadurecida, sociologicamente complexa, quando seus conflitos afloram. Mesmo na intimidade de entidades representativas é fácil percebê-lo como tem ocorrido, por exemplo, com a Federação das Indústrias hoje sob tensão de duas chapas que lhe disputam o comando. No pleito anterior houve uma resposta máscula da instituição ao resistir à pretensão do governo estadual de patrocinar um dos candidatos.
Não é de fato aceitável que uma representação de tantos setores produtivos não tenha, organicamente, conflitos de interesse, ainda mais quando a política industrial em prática favorece um deles. É preciso ter visão de unidade do Paraná, o que não anula o direito de grupos regionais brigarem por hegemonia.
Essas instituições se tornam mais verdadeiras quando expressam, como se dá agora, uma identificação maior com o ciclo da economia. A chegada do polo automotivo, que já se traduzia na Cidade Industrial com a Volvo e a montadora de máquinas agrícolas New Holland, não teve porém a virtude de levar a malha produtiva além do eixo Curitiba-Ponta Grossa, o mais alentado de todos e com maior densidade na Região Metropolitana.
Indispensável é que se retome o planejamento estadual e com ele se busque essa interação no sentido de reduzir desníveis regionais. O norte, o oeste, o sudoeste precisam beneficiar-se desse processo até porque a concentração excessiva tal qual se deu na Grande São Paulo gera deseconomia.

Nominalismo

A CPI dos grampos está andando e pelo menos já mudou de nome: agora se chama CPI das espionagens. Que fique perto do 007 e longe do 000.

Ritmo

Está bom o ritmo de Valdir Rossoni em sua ação depuradora: anuncia corte de gratificações e sabe que terá pendências, daí decorrentes, tanto judiciais quanto administrativas. E precisa ir se acostumando com derrotas pontuais como a representada pela escolha de Nelson Justus para a CCJ.
Consta que pelo menos um quarto dos servidores tem indicação do Judiciário.

Cerca

Muitos desembargadores não olham com simpatia a possível retirada das cercas que protegem o Palácio da Justiça. O Centro Cívico é um ponto negro em matéria de roubos de automóveis, por exemplo.

Folclore

Por falar em Judiciário uma ocasião tivemos um fato inusitado: um advogado, inconformado com o rumo que a sua causa tomava, simplesmente tirou a roupa e ficou de sunga no plenário. O ex-deputado federal Iris Caldart, de Cascavel, assessor do desembargador Henrique Cesar, teve que conduzir o pelado para fora do recinto.

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