Memória frágil
  Empenhado em manter uma base de sustentação que inclua o PMDB, o governo Beto Richa tem tudo para ser castigado pela omissão. Seus porta-vozes são incapazes de contundência na análise da situação encontrada e como se deu com Lerner corre o risco de passar por culpado de tudo. Requião deitou e rolou em cima do gestor anterior, posto que as ações mais efetivas tenham sido mesmo as da Polícia e Justiça Federal como no caso da CC5. Todos sabem que o Banestado estava quebrado e que a saída era o saneamento. Qual a versão que ficou: a de que banco tinha saúde de vaca premiada e que foi vendido a preço de banana.
  Pelo jeito não teremos uma definição clara da situação financeira e não apenas dela como do funcionamento precário da máquina. De vez em quando um secretário como o da Segurança mostra a defasagem brutal do efetivo, tanto civil quanto militar. Tudo fica por aí, a preocupação é não atingir Requião, mesmo que haja situações anômalas como as do Porto.
  O equívoco é pensar o Estado como se fosse a Prefeitura da Capital, onde uma sólida conexão de interesses manteve um sistema vitorioso. Redonda, bem mais racional, a Prefeitura tem capacidade de investimento maior. O Estado está esclerosado, prenhe de vícios, impotente no seu gigantismo. Quem aposta na conciliação corre o risco da descaracterização. E do fracasso.


Canaleta
  A canaleta exclusiva dos biarticulados pode, se passar a proposta do vereador Zé Maria, ser disputada pelos táxis como já o é pelas viaturas da Polícia, Bombeiros, Siate, Pronto Socorro sem falar em ciclistas, skatistas e patins. O que Curitiba precisa fazer com urgência é ajustar à realidade a sua frota de taxis, pelo menos mais uns duzentos.

CCJ com Justus
  Ficaria pior para os deputados se depois de acenarem a presidência da CCJ para Justus o passarem para trás. Não chega a ser uma dificuldade para ações moralizantes de Valdir Rossoni: decorre naturalmente do espírito de corpo e deixa claro o horizonte de dificuldades e ações como essa de diplomacia a que deverá render-se. Deixe o pretume para o Ministério Público. E faça os cortes.


Firmeza
  Espera-se se a greve de motoristas e cobradores se tornar inevitável (há ainda espaço mínimo para alguma negociação) que o Judiciário Trabalhista não seja tão formal e atue em defesa da maioria da população num serviço essencial fixando, logo no início da deflagração, as cotas mínimas de trabalhadores para não haver colapso do sistema. Essa beatificação da greve, como se de ‘‘ultima ratio’’ se fizesse ‘‘verdade revelada’’, tem que ser submetida à avaliação de fundo: a maioria não pode ser sacrificada porque há minorias discordantes.
  Não tivéssemos uma câmara municipal de vaquinhas de presépio os chunchos da relação pactual com o sistema de transporte estariam devassados. Eles sempre carimbam tudo. Greves anteriores em maioria foram farsescas.

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