LUIZ GERALDO MAZZA
Alegorias inúteis
Ontem o presidente do Legislativo, Valdir Rossoni, imitou Requião no segundo governo ao remover cercas para ''libertar o espaço democrático''. Retórica e simbologia nada mais. Se aquele poder virou um covil- e essa é a impressão dominante- não será esse gesto que irá transformá-lo em algo representativo. Requião quis dar à remoção das cercas um sentido de Queda da Bastilha ou do Muro de Berlim como também ao fixar, no primeiro governo, um memorial, alusivo à resistência à sua cassação pelo TRE, de mau gosto e alterando o cenário. O público chamou-o de ''Memorial de Maria Louca'', fazendo charge com a série televisiva ''Memorial de Maria Moura''. Dá a impressão que Rossoni está empolgado e viaja na maionese.
Quanto mais ele divulgar fatos do Legislativo mais os deputados estarão sob risco até porque poucos deles se aventuram a andar pelas ruas. Se chamou a PM para garantir-se contra os seguranças rebelados, imagine-se agora sem cercas.
TC e Deus
Que o divino se cuide: o Tribunal de Contas está obrigando uma associação da Assembleia de Deus a devolver dinheiro mal aplicado. O que é terreno afinal não se torna espiritual porque tem religião no meio.
Oportunismo
Engana-se quem subestima o prefeito Luciano Ducci nas artes políticas: ontem ele apareceu ao lado de Rossoni na remoção das cercas no Centro Cívico e anteontem com Requião em Brasília. Para completar o Derosso soltou o edital da convenção do Diretório Municipal do PSDB de Curitiba para março. Desfruet.
Impasse
Anteontem a Urbs estava disposta a acordo no caso do reajuste de motoristas e cobradores, posição que reviu ontem na Delegacia Regional do Trabalho. Ficou para segunda-feira o novo encontro entre patrões e empregados. Se houvesse caráter a gerenciadora do sistema derrubaria as vantagens absurdas como aquela da concessão de 3% do movimento bruto das rendas para o Sindimoc, vinculação orgânica e talvez causa maior de ações ousadas como tentativas de homicídio. E isso é tanto verdade que os derrotados da última eleição já organizaram um outro sindicato para representar essa explorada (por dentro e por fora) categoria.
Folclore
Saio da casa do meu sogro atleticano e viajo no mesmo bonde do vizinho, também rubro-negro, Túlio Pereira. Do Juvevê a Água Verde. Descemos a Buenos Aires e entramos no Joaquim Américo. Na entrada do estádio declaro minha condição de coxa e o Túlio, inconformado, me aponta o guarda-chuva como se fosse uma espada, alegando que eu havia abusado da sua confiança.
PT guerreiro
Depois que chegou ao poder o PT perdeu combatividade: vespa sem ferrão, mas agora quer surfar na questão do transporte coletivo e colocou em ação o Dieese para auxiliá-lo. O poder, como dizia Ulysses Guimarães, dá orgasmos, todavia também acomoda.





