LUIZ GERALDO MAZZA
A derradeira saída
A decisão de levar a PM a invadir o Legislativo diante de possível reação do quadro dos seguranças é o que se chama de ultima ratio, tal qual se aplica à greve. Se a greve tem esse sentido de ruptura da paz numa determinada área empresarial a invasão da Assembleia por milicianos configura a resistência da legalidade ao poder paralelo que nada tem da Igreja das catacumbas e muito mais de nicho quadrilheiro.
A bagunça é tão grande, na parte documental (aliás precisou ser refeita por causa do incêndio até hoje muito mal explicado como tudo o que acontece por lá), que o presidente do Legislativo teve que alterar o número de vigilantes do quadro estatutário, portanto, com estabilidade. Falou primeiro em seis, depois em 15 e agora em 28. Que segurança documental pode haver num sistema que consagrou os diários secretos, cuja gráfica foi preciso fechar?
Se há tantos servidores formais, complica-se a situação porque a Casa se verá obrigada a reclassificar esses servidores, readaptá-los para outras funções e isso, inegavelmente, concede um pouco de força ao Sindilegis, apesar da truculência verbal do seu presidente e de uma arrogância que tenta colocá-lo quase como o próprio Poder Legislativo.
Reavaliação necessária
A sequência de denúncias colocou a Comissão Executiva anterior, especialmente o presidente Nelson Justus e o secretário Alexandre Curi, como responsável por ação e omissão diante das artes praticadas pelo diretor-geral. Percebe-se agora - e vale aí a declaração do atual presidente de que tinha medo, o que disse com todas as letras, do pessoal da segurança - que a inércia sustentada há longo tempo, medida em pelo menos três décadas, tinha gerado esse absurdo de um burocrata, no caso o diretor-geral, ter mais poderes do que os eleitos para gerir os destinos do parlamento. Já se viu que não vai ser fácil essa luta em terra movediça: da mesma forma que as promessas de transparência eram adiadas e as soluções temporárias cheias de falhas (do portal ao cadastro) agora o próprio Valdir Rossoni se vê envolvido em contradições e num momento em que necessitaria o máximo de firmeza e concentração para não degradar sua imagem, como aconteceu com os antecessores.
Há um avanço nas ações atuais porque antes mesmo do programa de modernização teve o cuidado de atingir um setor-chave, o da segurança, que também se revela hábil nas artes das chantagens com dossiês eventuais contra aqueles que poderiam tentar atingir seus interesses. Não era apenas a existência de fantasmas, portanto, que marcava a Assembleia real, mas algo pior do que os aparatos dos porões tipo Doi-Codi no regime militar. A guarda pessoal de Getúlio Vargas era bem menor do que a do Legislativo e foi capaz de lançar o país numa das suas maiores tragédias políticas .
Sem CPI
Todos esses acontecimentos aconselham que se permita ao Gaeco aprofundar as suas denúncias, já suficientes para cassar mandatos e ditar sentenças, e que não se intente, no calor das avaliações, o funcionamento de CPIs sobre o Porto e outras patologias da gestão anterior. E que o Judiciário se manifeste como já ocorreu com a prisão temporária de vários servidores.





