Mais vitimalismo
Quando do massacre do Carandiru as pesquisas mostraram que a maioria do povo era favorável à execução em massa. Repete-se agora fenômeno parecido com a acusação de homicida em série ao coronel Jorge Luis Martins: segundo versão passionalizada ele estaria agindo como ''justiceiro'' pela morte do filho. A paranoia é que leva o público a agir assim ao projetar sua insegurança no julgamento dos episódios. O fato de ser um hierarca militar revelaria seu ceticismo nas ações da polícia judiciária, mas não justificaria a barbárie.
Descrença na justiça e na polícia judiciária é normal. Tentar ser o juiz e o carrasco, ao mesmo tempo, é inaceitável.

Investigação
A Secretaria de Segurança quer responsabilizar alguém internamente pelo vazamento de informações no caso do coronel bombeiro. O mesmo se dá com o conteúdo das gravações da Operação Dallas no Porto protegidas por sigilo.

Desistência
Quando Marx, pretendendo corrigir Hegel, disse que a história se repete como farsa parecia estar se referindo à desistência do Nelson Garcia no pleito da Assembleia Legislativa. Caso em que a especulação é mais quente que o fato.

Troca
Pode haver troca de guarda no governo, mas a má vontade com investigações e órgãos como o Gaeco é permanente.

Caravelas
Como se já não bastasse a deficiência das praias, agora temos também o ataque das águas vivas com alguns casos de queimadura. Medusas e caravelas, de ação urticante mais aguda, não aparecem com frequência.

Organizadas
Troca de tiros entre Guarda Municipal e atleticanos que ameaçavam coxas no Bairro Alto é prova de que urge acabar logo com as ''organizadas''. O Coritiba deve as duas punições da CBF, jogando-o na segunda divisão, a ações de torcedores.

Folclore
Rua da Praia em Paranaguá repete atitude de comerciantes da Rua das Flores em Curitiba na resistência do comércio a restrições de circulação sugeridas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. O pior que nos dois casos o argumento é o de que isso prejudicaria o comércio quando o calçadão da capital gerou um ''shopping ao ar livre'' com lojas âncora e tudo mais.

Ação política
A divulgação de folhetos apócrifos contra a alta do transporte coletivo foi condenada pelo sindicato de motoristas e cobradores, Sindimoc, mas pelo jeito a greve sai. Nem a greve patronal, locaute, essa por duas vezes, emplacou. E para que fazer isso se era mais econômico e eficaz o acordo?
O tempo todo, ao longo de 50 anos, patrões e empregados fingiram brigar, mas agora tudo tende a fugir dos controles. De um lado é bom para que haja conflito de verdade e não o acerto orgânico, pactual, de sempre abençoado pela Prefeitura e Urbs.

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