LUIZ GERALDO MAZZA
Sinalização clara
Quando Beto Richa nomeia o filho e a nora de Nelson Justus deixa claro um sinal: o de sua aliança e linha de solidariedade ao presidente do Legislativo. Escrúpulos ligados à acusação de nepotismo ele os toureia com a habilidade de um Dominguin e faz ainda ''verônicas'' em torno do miúra humilhado simbolizado na suposta indignação popular.
Acredita piamente que o seu dedicado auxiliar Ezequias Moreira, hoje na diretoria da Sanepar, na área de relação com os clientes, pagou pelo desvio praticado em relação à grana da sogra fantasma e está ''zerinho'' em matéria de probidade. É possível que essa afinidade se estenda ao Abib Miguel, o Bibinho, contra quem Nelson Justus e Alexandre Curi nada tinham, tanto que lhe asseguravam carta branca, e dá até para cogitar, por que não?, da hipótese de nomeá-lo para um posto no Executivo estadual.
A sociedade que temos, não a que queremos, absorveria tranquilamente a jogada e os áulicos mais radicais encarariam o ato como de extrema coragem e não como temerário, de resistência a ''moralismos hipócritas''. Esses enlaces são fortes, às vezes mais do que os elos da corrente familiar e se interpenetram nas malhas intrapoderes; estão acima de cautelas jurídicas, da simbologia de cada um deles, tal a sua expressão clânica. Assim também qualquer esforço, por menor que seja, direta ou indiretamente, para desacreditar o Gaeco e reduzir-lhe a força, será normal. Tanto quanto o que há de consuetudinário no Legislativo, com seus sortilégios e fantasmices, pois afinal também o costume está nos fundamentos originais do Direito.
O sistema
Há pessoas que caracterizam o sistema. É o caso de Nelson Justus: fiel a Lerner, Requião e a Beto Richa. Com Lerner ele extrapolou no caso da votação da Lei de Iniciativa Popular que impedia o leilão da Copel. Pra votar com a maioria chegou a afastar-se de uma secretaria para exercer o mandato. Luiz Cláudio Romanelli é uma nova visão do sistema. Só que agora a fidelidade ao chefe de plantão o obriga a respeitar as praças de pedágio. Que também fazem parte do sistema.
Scherner
Perda irreparável no mundo cultural: morreu o professor e poeta Leopoldo Scherner, ex-pró-Reitor da Católica, meu colega da turma de 1954 da Faculdade de Direito da Federal e também da Academia de Letras. Sepultamento hoje no Cemitério de São José dos Pinhais em cuja capela mortuária foi velado.
Conflito
Tudo aqui é no compadrio: relações pactuais como a do lixo e do transporte coletivo o evidenciam. Há perspectiva dessa vez de conflito: patronato corta os 3% (o que é clara cooptação e que engorda a burocracia) do Sindimoc e mais as cestas básicas que troca pelos cartões de compra e não dá dinheiro para sindicalista pagar seguro-saúde e o trabalhador repica pleiteando 38%. Chega de luta de classes bufa. Conflito já, abrangente e irrestrito. Quem sabe nos salve antes do Juízo Final. Amém.
Folclore
Epigrama no muro: Marx morreu, Jesus também e eu não estou me sentindo bem.





