LUIZ GERALDO MAZZA
Um porto inseguro
A imagem dos portos paranaenses é de há muito prejudicada pela má direção do sistema. Agora, porém, chegou a um ponto que está a exigir o fim dos acertos, do compadrio, que tanto afeta a sociedade como um todo. A prisão de um ex-superintendente, no momento com preventiva decretada, exige mais do que a exploração teatral do tema em mais uma sinfonia inacaba de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Legislativo e sim a continuidade e aprofundamento das investigações até aqui desencadeadas pela Polícia Federal e Ministério Público Federal sob orientação da Justiça Federal.
As duas últimas gestões governamentais tiveram no Porto de Paranaguá um dos seus sustentáculos, até mesmo de caráter ideológico, com aquela cantilena do ''porto público'' quando se sabe que nem navio muito menos mercadoria e operadores são estatais e sim privados como em qualquer lugar civilizado. Ao revés das supostas intenções do governo passado, a de fortalecer a dimensão pública dos terminais, o que se viu justamente foi o contrário: o florescer de interesses privados e que culminaram com a compra da draga, abortada na Justiça, e na revelação, pelas gravações periciais, de pactos internos.
A notícia de que importadores se queixam da quantidade e qualidade das mercadorias exportadas não é nova: é parte de uma rotina que se repete na questão dos resíduos, cujo desaparecimento se atribuía, anedoticamente, às pombas do terminal. Paranaguá, que chegou nos anos 50, século passado, a superar Santos como maior porto cafeeiro do mundo é agora, em função das mudanças na economia, o maior graneleiro do Brasil e um dos maiores do hemisfério. Caiu e muito em qualidade, invadido por ociosidades como a guerra aos transgênicos, que tantos prejuízos causou e pela resistência às determinações tanto da Capitania dos Portos como do Tribunal de Contas da União e da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) quanto às exigências de dragagem para ter um calado que garanta a navegação segura tanto faixa portuária quanto no Canal da Galheta. Urge o amplo esclarecimento de tudo e punição de culpados.
CPI depois
A experiência tem indicado, especialmente no Paraná, que CPIs dão em nada. É verdade que a proposta do momento é mais abrangente: uma investigação sobre a corrupção no governo anterior, nada menos, aliás, do que duas gestões. Antes de qualquer providências vamos aguardar o fecho das acusações e indiciamentos.
Justiça poética
O senador Alvaro Dias tenta negar o fato de que usou a aposentadoria de José Richa para afastá-lo do segundo turno em 1990. O fato é notório. Mas há um dado curioso - o da justiça poética. Richa foi beneficiário da exploração em torno da aposentadoria precoce de Saul Raiz e sofreu o repique também do PMDB, o campeão das baixarias, que havia aprontado também aquela.
Desvio
No twitter Roberto Requião desafia o André Vargas (possível candidato a prefeito do PT em Londrina) e o ameaça com uma gravação no Senado. Com isso se afasta do problema tormentoso do Porto e do seu irmão Eduardo.





