Um bafo no espelho
Diagnóstico antigo, popular, para ver se alguém tinha morrido era colocar na altura da boca do suposto ‘‘de cujus’’ para ver se respirava ou se, como se dizia, havia o sinal de vida com o bafo no vidro.
O Porto de Paranaguá é um paciente terminal, embora aparente saúde e vitalidade. Ontem a Polícia Federal botou o espelho na boca do terminal e apurou que está vivo porque morto não rouba. Será que tal diagnóstico não deveria ser feito nas demais áreas? Afinal se na Assembleia, que é a casa do povo, havia tantos desvios por que não se amplia a dimensão da devassa?
Caberia ao governo que entra saber tudo daquele que sai e dar as dimensões exatas da herança recebida. Mas aqui isso é difícil. Todavia a partir de agora se obriga a agir pelo menos subsidiariamente nesse caso. Afinal, o Porto é uma delegação da União e não apenas o governo e ainda órgãos de controle como o Tribunal de Contas têm tudo a ver com os escândalos. Primeiro as punições exemplares, depois o esforço da depuração e da redenção como nas novelas.

Desvios
Roubo de cargas, contrabando, operações do gênero são comuns em todos os portos, principalmente os brasileiros. Em Paranaguá, há muito tempo, há diferença de peso e qualidade em mercadorias exportadas o que gera transtornos com as companhias de seguro. Uma operação ‘‘formiguinha’’ era comum com desvios de resíduos de soja que os malandros depois atribuíam aos pombos e sua fome pantagruélica e compulsiva.
Se da casa de Eduardo Requião, o mais durável dos superintendentes, uma serviçal teria afanado US$ 300 mil de um total certamente incalculável de um dos armários imagine-se como evitar desvios de cargas e mercadorias no porto?

Silenciou
As notícias da operação ‘‘Dallas’’, que era o nome do trambolho chinês que o governo paranaense queria comprar para dragagem, mexeram com a família do ex-governador, tanto que sua irmã, Lúcia Arruda, acompanhou as diligências da PF na casa do irmão Eduardo. O patriarca, no entanto, não twittou, todavia o fará ainda hoje certamente.

O fim
Tanto o senador Requião como Alvaro Dias devem estar cientes do seu fim de carreira por sustentarem, durante anos, o marketing da moralidade e quererem agora a aposentadoria que tanto abominavam. Pior ainda no caso de Alvaro é a pretensão de receber atrasados, cerca de R$ 2 milhões. Se Requião o fizesse poderia justificar-se no pagamento das multas judiciais por causa dos seus transbordamentos na ‘‘escolinha’’. Houve um momento em que alegou não ter dinheiro para pagar as multas da Justiça Federal.

Negativa
Marcelo Richa, filho do governador, ontem na CBN Curitiba negou que estivesse fazendo ‘‘racha’’ com Carli Filho no dia da tragédia e igualmente que a Universidade Positivo o tenha desclassificado na turma de Direito por haver plagiado prova de fim de curso. Se as perguntas em entrevistas forem desse tom é bem mais fácil enfrentar o Gaeco. Faz parte do espetáculo e da missão.

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