LUIZ GERALDO MAZZA
A tatuagem
Dizem os psicanalistas que há um risco para o jovem quando chega na idade adulta e quer livrar-se de um transbordamento adolescente como a tatuagem. O fato é que a tatuagem, muito mais que a cor da mulata que não pega na música de Ari Barroso, gruda. E é agora o problema dos senadores paranaenses Requião e Alvaro Dias. Para evitar a vitória de José Richa e expulsá-lo da disputa do segundo turno em 1990 fez-se um escândalo, patrocinado pelos dois, com a tal da aposentadoria do ex-governador. Massificada a campanha, Richa ainda cometeu a ingenuidade, em reunião do partido, de afirmar, com mais ênfase, que a aceitava sim e isso sob os aplausos de áulicos e companheiros. Também essa frase, massificada, foi repetida no horário eleitoral e dava a impressão de que o declarante não se sentia minimamente constrangido com algo que se discutia não no plano legal, mas sim no da moralidade.
Como os dois senadores, um no governo (até para garantir a vitória do seu sucessor) e outro como candidato, fizeram intensa exploração do tema pega muito mal para ambos, velhos mineradores desse moralismo safado, terem se habilitado também à prebenda. E é importante que haja agora a máxima exploração desse fato para marcá-los para sempre. Isso deve ser feito durante todo o processo de julgamento da matéria para tatuá-los, a melhor pedagogia para moralistas de fancaria.
Receio afastado
Foi providencial a declaração do governo de que não desfalcará o apoio para as ações do Gaeco com policiais civis e militares. Temia-se que uma vez mais o compadrio paranaense, de raiz corrupta, impedisse a continuidade das investigações no legislativo. É que o governador foi flagrado, quando deputado, dando cobertura ao Ezequias Moreira, aquele que drenava para a sua conta bancária o salário da sogra funcionária fantasma. Beto o afastou, à época, do gabinete na Prefeitura, mas tratou de mantê-lo sob os cuidados de Derosso na Câmara Municipal como ponte para ações políticas e administrativas.
Além disso a ligação com Nelson Justus, evidenciada com a nomeação do filho do presidente do Legislativo, apesar de investigado por irregularidade, levava boa parte do público em temer uma pizza gigante. Corretíssima a decisão.
Papo de rua
Na porta do Bar e Confeitaria Stuart o deputado federal Wilson Picler, empresário da área educacional, explicava que o país pode fazer com o ensino médio algo parecido com o Prouni para aproveitamento de vagas em escolas particulares.
Atletiba
O presidente do Atlético, Marcos Malucelli, disse que o coxa está defasado em dez anos em relação ao time da Baixada. O vice do coxa, Wilson Andrade, disse que o Coritiba tem um patrimônio onde não entra dinheiro público. Não se sabe se está se referindo ao presente imediato com a ampliação para a Copa ou ao passado não tão remoto como o do erguimento da Arena.
Melancolia
O abandono de Osmar Dias e Orlando Pessuti pelo governo federal tem um tom essencialmente melancólico.





