LUIZ GERALDO MAZZA
Curitiba x Londrina
Por que Curitiba não pode ser como Londrina e segurar o aumento dos ônibus até a última instância? O que é um tabu para a capital se transformou em rotina: afinal uma sociedade exigente irriga instituições como o Ministério Público que determina o afastamento do prefeito, de vereadores. Aqui é mais complicado por ser o centro político-administrativo e permitir o mais amplo exercício de poder da sociedade cartorial o que acaba esclerosando também as instituições. A exceção até agora foi o Gaeco ir em cima do Legislativo estadual e algumas prensas sobre o prefeito como aquela que redundou na condenação de Taniguchi por duas vezes no STF a seis meses de prisão.
Temos agora um prato cheio: o reajuste das tarifas do transporte público que é sinalizada com o pedido de aumento de 15% de motoristas e cobradores. Há uma relação pactual no setor amarrando patrões e empregados, mas deformações à vista exigem intervenção do MP: o sindicato laborista, e isso está na planilha do sistema, recebe 3% da massa de recursos a título de pura cooptação. É grana altíssima. Esse elemento e mais a distribuição de cestas básicas mostram um quadro de deformações. O MP já processou a diretoria anterior do Sindimoc por formação de quadrilha. Como terenos um mês, dá tempo de investigar e agir.
Ficha
Cassio Taniguchi foi julgado e condenado por um colegiado e isso o enquadra na lei da ficha limpa. O fato de não ter cumprido a pena por prescrição não elide a sua condição legal. É uma das peças mais sólidas de Beto Richa, talvez o mais antenado com administração.
Como cortar
Beto Richa está agora com uma prioridade à frente: cortar despesas. Não dá para usar as técnicas, aliás eficientes, do Jack, o estripador. Mas poderia, no entanto, valer-se dos modelos de Manoel Ribas, por isso chamado de Maneco Facão, e de Ney Braga. O que não pode é anunciar cortes e o seu vice, Flávio Arns, agora secretário de Educação, falar da necessidade de contratar 30 mil professores, o que é verdadeiro e revelador de contradições. E governar é, entre outras coisas, gerir contradições.
Sanepar
Sanepar estava visivelmente em crise e isso transparecia na troca de denúncias no seu Conselho Diretor, nos chunchos de desapropriações e na perda de eficiência. Municípios como Maringá e Londrina querem romper as relações. Dias passados, ela anunciou que iria tirar o ar do encanamento que dava uns 30% a mais na tarifa.
Folclore
Beto Richa, à maneira do que fez na Prefeitura de Curitiba, quer devolver ao Paraná seus símbolos e brazões heráldicos. Só que o atual foi contestado na gestão Alvaro Dias por um grupo de trabalho coordenado pelo mestre Ernani Straub e depois retornou. A única bandeira regional que mantém o nome do Estado é a nossa. A de Minas tem o ''libertas quae sera tamem'' a nossa poderia constar ''aqui vale tudo'' ou ''aqui tudo se repete''. Tomara que menos a ''escolinha'' e que ontem não houve. Seria um ato de saúde pública, um feito valioso.





