Moratória manjada
Beto Richa não dramatizou em seu discurso de posse a situação financeira do estado. Mas, na sequência, seguiu o receituário de Requião, e isso por duas vezes, de suspender os pagamentos a fornecedores, prestadores de serviços e empreiteiros por três meses. De certa forma um simulacro de moratória que tem efeitos mais concretos do que os proporcionados por alguns cortes de gastos que ninguém faz ideia de onde poderiam ser feitos.

Ao menos a lua de mel com o triunfalismo foi rompida porque se persistisse impediria qualquer forma de pensamento coerente e articulado. Em duas coisas ao menos o Beto Richa repete o antecessor: a moratória e a nomeação privilegiada dos parentes. Espera-se que o Rubens Bueno, um visceral inimigo do nepotismo, se manifeste.

É indispensável fazer a seleção dos alcançados pelo corte: se for em cima, por exemplo, dos produtores de laticínios que atendem o programa do leite para as crianças pode ter efeitos devastadores. Cortar gastos com pessoal é sempre o caminho indicado e atingir os demissíveis algo já esperado. Ney Braga deu uma lição do florentino Maquiavel: demitiu mais de 10 mil de uma penada e depois renomeou, em doses homeopáticas, menos de 5 mil deles. A ação perversa foi rápida e a de recuperação a longo prazo.

Se é possível alongar cronograma de pagamento também se pode fazê-lo com o quadro das nomeações de comissionados que chegam a três mil. Enfim se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.

Peça de ficção
Especialistas fazendários alertam que o orçamento de R$ 25 bi é peça de ficção, não se sabe se surrealista, dadaísta, onírica ou do romantismo fantástico. Não se chega à racionalidade por essa via.

Hora da devassa
Lerner não piou quanto à herança deixada por Requião e este, quando o sucedeu em 2003, mandou brasa. Beto Richa não construirá uma boa imagem se não fizer uma ressonância magnética do governo Requião-Pessuti. E que não se diga que precisam de uma devassa que um áulico se apressará em indicar uma garota de programa. Puxa-saco não tem obrigação de ser intelectual.

Fruet

Gustavo Fruet não aceitou postos no governo e sabe que será difícil a sua candidatura a prefeito. A convergência de interesses que sustenta o grupo é mais forte do que os políticos que a servem. Até nisso Beto Richa repete Requião, botando a melhor figura dos nossos quadros em segunda época. Se QI prevalecesse, o baixo clero, que deita e rola, não existiria.

Emulação

Cambé emplacou dois secretários: Amaral e Hauly. Apucarana não ficou atrás e ontem José Domingos Scarpelini e André Pegorer tomaram posse ainda que por 30 dias como deputados. Fazenda Rio Grande, que teve um acertador da Mega-Sena, tem agora o seu ex-prefeito Alisson como parlamentar.

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