LUIZ GERALDO MAZZA
Uma ideia-força
Até o momento, fora aquilo que vimos na campanha eleitoral, não há a menor noção de como o governo sairá do marasmo em que se encontra. A montagem do secretariado tem muito pouco de animadora. A preocupação em acomodar demandas de partidos, tal qual se deu com Lerner que aumentou de forma absurda o número de pastas (e que Requião deixou do mesmo tamanho), mostrou que o fator político, e aí caracterizado o baixo clero, se distanciou de qualquer sentido técnico-operacional, a não ser nos casos de Cassio Taniguchi (Planejamento), Reinaldo de Almeida César (Segurança) e Luis Eduardo Sebastiani (Administração).
De uma coisa o governo estaria livre: de figuras hegemônicas que acabassem se sobressaindo. Na primeira gestão oposicionista, ainda no regime militar, a de José Richa, havia duas presenças fortes em Erasmo Garanhão, identificado mais à esquerda como secretário da Fazenda, e Belmiro Valverde, liberal, na área de Planejamento. O choque entre os dois por causa do escândalo dos dólares tirou duas expressões e o espaço acabou assumido por Euclides Scalco.
Mas José Richa, embora sua base de convergência, uma frente, que juntava o infravermelho ao ultravioleta em seu espectro ideológico, contava com uma estratégia e lembro que uma das questões colocadas foi a da tecnologia apropriada e que abrangia também o senso do ''pequeno é belo''. Havia, até por essa circunstância, uma ideia-força com a democracia participativa. O difícil é encontrá-la agora.
O diálogo em ação
Demandas do Ministério Público e do Judiciário, presentes na suplementação orçamentária desejada, foram renegociadas. Se as sequelas do governo atual como a questão dos salários dos professores permanecerem (já que Pessuti promete resolvê-las até o final do mês) haveria incidente de percurso logo na abertura da administração. Inimaginável iniciar o governo com uma greve que poderia prolongar-se e ameaçar o ano letivo. Claro que o mestre Flávio Arns, na condição de secretário da Educação, poderia ser a ''ponte'' indispensável até porque a categoria mais bem organizada do funcionalismo, com um mínimo de sensibilidade, não se arriscaria à impopularidade de uma decisão insensata.
É justamente aí que a tal comissão de transição deveria operar para evitar anomalias que ameaçassem o fluxo da administração. A forma como se negociou o projeto da Defensoria Pública também foi inteligente: atendeu a necessidade de implantá-la com a sua aprovação, mas pode ainda ser aperfeiçoada bem como a definição dos seus quadros.
Infelizmente o clima inicial da transição foi perturbado de parte a parte com as desconfianças: qualquer movimento (decreto, contrato, empreitada e até a festa de reinauguração do Palácio Iguaçu) do governo atual era olhado pelos futuros ocupantes como prodigalidade, o que nem sempre era verdadeiro; e a mínima crítica ou cuidado da parte dos vencedores da eleição era vista como uma tentativa de impedir o exercício do mandato. O exagero pode ter função didática, explicativa, todavia às vezes detém o poder de imobilizar.





