As identidades
Nesses últimos dias tive momentos de profunda identificação em áreas em que atuo como a da Academia Paranaense de Letras e a Ordem dos Advogados do Brasil A primeira foi na posse do novo acadêmico Dante Mendonça, que ocupa a cadeira em que quase se eternizou o velho Valfrido Piloto, polemista e guerreiro
Os discursos tanto de Ernani Buchman, publicitário e homem de criação, como do Dante expressam o espírito descontraído e humanístico da concepção mais atual da Academia Nenhum vestígio dos rituais antigos, do linguajar empolado, daquela inclinação para o parnasianismo, marca de um outro tempo E no meio da semana passada houve a eleição de dois novos companheiros: o literato e jurista Nei José de Freitas (presidente do Tribunal Regional do Trabalho) e o escritor e jornalista Roberto Mugiatti, autor de valiosa obra, tradutor e um profundo conhecedor de tudo que daria fundamento à cultura ''underground'' e que mantinha correspondência com Jack Kerouac, referência no movimento beat
Mugiatti, uma autoridade brasileira em ''jazz'', foi o editor principal das publicações da ''Bloch'', especialmente da ''Manchete'' O reencontro com ele e com o Dante me coloca nos tempos da transição do jornalismo boêmio para o profissional e das noitadas animadas pelo gênio também nacional, o Raulzinho do Trombone O círculo se completa com a designação do Eduardo Rocha Virmond para a presidência da Academia Foi na presidência dele na OAB regional que se promoveu a conferência nacional dos advogados que se transformou num dos mais importantes momentos da ruptura com o autoritarismo e a semeadura do processo de abertura

Os cinquentões
Outro momento, este vivido na quinta-feira, no salão nobre da Ordem dos Advogados do Brasil, na homenagem aos profissionais com 50 anos de inscrição, também me colocou no campo fraterno das rememorações que me transportavam da vida universitária, ainda com um adocicado tom de disponibilidade, até as surpresas e embates do profissionalismo Mais jornalista do que advogado, embora do quadro da Procuradoria Geral do Estado, revi nos irmãos Luchesi, Fernando Antonio Miranda, Djalma Lopes de Medeiros, Domingos Mansani, entre outros, o fulgor dos tempos lembrados pelo presidente da OAB, José Lúcio Lomb, no discurso em que viajou até os anos sessenta e colocou uma forte dose de emoção naquele reencontro E das muitas alegrias pude verificar que entre os ''diplomados'' por esse meio século, a figura de um advogado visceral, talentoso e de combate, o Mauro Viotto, de Londrina A relação que ele tem com a advocacia, razão de sua vida, é a que tento fazer com o jornalismo, exercido há 60 anos, e no qual tenho buscado valer-me dos fundamentos do Direito, ora como acusador e muitas vezes como indiciado, normalmente por atuação nesta FOLHA, ainda que o rádio, CBN Curitiba, tenha me proporcionado outros embates

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