LUIZ GERALDO MAZZA
Falta de quadros
É constante na história paranaense a repetição das mesmas famílias disputando o poder. Do início da abertura lenta e gradual, em 1982, até hoje, tivemos três famílias - os Richa, os Dias (Alvaro e Osmar) e os Requião envolvidas no processo eleitoral. Entra aí com dois pleitos vitoriosos Jaime Lerner, uma expressão não tardia do neysmo.
Se esse revesamento indica uma certa raiz oligárquica, em que pese o decor de modernidade da sociedade paranaense, ele expressa também ausência de quadros e que na montagem da equipe de Beto Richa reproduz nomes que o auxiliavam na gestão prefeitural. Não está sendo fácil a reposição desses quadros para Luciano Ducci que tenta repetir a trajetória do seu antecessor e aliado.
E é essa carência radical que explicita o retorno de Cassio Taniguchi, maior expressão do lernerismo, apesar da nódoa da ficha suja com as condenações pelo STF, amainadas pela prescrição. Qualquer acrobacia de marketing que insinui estarmos diante do novo soará tremendamente artificiosa.
Felicidade
Estão tentando, com uma Proposta de Emenda Constitucional, tornar imperativa a disposição de que o regime vigente garante a busca da felicidade. Aquilo que está no texto constitucional não ganhará instrumentação no plano real. Mas além disso há movimentos como o da Felicidade Interna Bruta, tocado por voluntários da Fiep, que esteve ontem no segundo maior assentamento da Grande Curitiba na Vila Zumbi dos Palmares à margem do rio Palmital, BR 116. Cena felliniana a captada do esforço de convencimento de que seus moradores são felizes. Faltou o Rafael Greca, como um anjo barroco, adejando sobre aquele cenário que já administrou e onde Luiz Cláudio Romanelli fez farta mineração de votos, já que ambos dirigiram a secretaria de Habitação que geriu aquele espaço.
Um dos saques do mais duro dos presidentes militares, Garrastazu Medici, quando explorava os feitos da economia nacional, foi o de ter dito que precisávamos mais de Felicidade Nacional Bruta do que Produto Nacional Bruto.
Tática
A dispensa de 11 testemunhas (e mais 35 para as audiências subsequentes) de defesa por parte do advogado de Miguel Abib, o Bibinho, sugere uma tranquilidade que pode não ser verdadeira. A alegação de que não há provas das acusações é replicada obviamente pelo Ministério Público. É possível que situações do gênero se repitam.
Folclore
Rosário Farani Mansur Guérios, linguista, recebe o título de Vulto Emérito da Universidade Federal e já, na abertura do seu discurso, tira sarro da homenagem estabelecendo com, argumentos filológicos e semânticos, que Emérito também pode ser Imérito, isso é sem mérito.
Tribunal
Felizmente o exame dos balanços do governo pelo Tribunal de Contas não é acertado como o processo eleitoral interno. No último exame, um dos mais fortes da história, restrições sérias foram apostas no exame das contas. O normal, no entanto, é aquecer nos considerando e amaciar bastante nos finalmente como lecionava Odorico Paraguaçu.





