LUIZ GERALDO MAZZA
Um suspense diferenciado
Raramente no Paraná um caso de filho fora do casamento, ruptura entre marido e mulher ou indiscrições de uma prostituta geram fatos políticos Se filho fora do matrimônio é metabolizado (e isso ocorreu diversas vezes com exame de DNA e tudo mais), a separação tira-se de letra desde que a mulher não passe a fazer denúncias como se deu com a primeira-dama paulista, Nicéia, contra seu marido, o ex-prefeito Celso Pitta E o pior mesmo é a expectativa gerada por declarações de uma cafetina como a tal da Mirlei, mitificada em Curitiba como a baronesa do sexo A tal da Chácara da Mile, como denomivam o centro luxuoso de prostituição em Alto Maracanã, Colombo, não tinha a exuberância das casas de Londrina entre os anos 50 e 70, entre as quais a da Laura Garcia que chegaria ao auge da carreira em São Paulo tocando o La Licorne
Bastou que se falasse numa agenda da Mirlei de Oliveira para que empresários, juízes, delegados de polícia entrassem em pane com temor de sua revelação E foi o que se deu agora com a entrevista da cafetina, processada por tráfico de mulheres, quando se esperava uma torrente de declarações que abalaria a praça
''Se eu falar tudo que sei, acabo com metade dos casamentos do Paraná'', diz ela na abertura da entrevista à revista ''Ideias'', obviamente exagerando e anunciando que pretende em livro autobiográfico relatar a saga Afirma, por exemplo, que um empresário curitibano, já falecido, contratava dezenas de suas garotas para festas de arromba numa ilha catarinense para agradar magistrados
Na verdade, o texto da publicação oculta nomes e mantém a atmosfera que sempre cercou as façanhas da mulher que se dizia ''vendedora de orgasmos''
Caso das menores
De episódios semelhantes explorados pela mídia nenhum deles teve a força de uma ação policial nos anos 50, do século passado, contra a corrupção de menores feita pelo jornal ''Última Hora'' A descrição dos fatos chocava a provinciana Curitiba que descobria, estarrecida, que as mocinhas ''davam'', normalmente figuras da classe média/média e média pobre Um prefeito, um dirigente de banco, deputados estaduais e federais se viram com os seus nomes colocados nas reportagens Casamentos desfeitos, tensões, e um fator especial ampliava o campo das farras e dos abusos com drogas: os advogados convenciam as garotas indiciadas a botar o nome dos bacanas, donos de jornal inclusive, dirigentes de clubes tradicionais, como se estivessem presentes nessas orgias, o que nem sempre ocorria
Se o inquérito não estivesse aos cuidados de um delegado incorruptível, uma referência na profissão, Almir Chagas Vilela, a coisa teria desandado Uma das situações insólitas se deu com o então estudante de Direito, Alcidino, que para evitar que o pai visse o seu nome no jornal ''acertou'' com a Última Hora que compraria, banca por banca, toda edição O chefe da redação, Ducastel Nicz, pediu a São Paulo, sede do jornal, que mandasse novo reparte O estudante, que havia colocado todos os exemplares num apartamento, mostrava desolado a sua decepção com a quebra de trato e teve que encarar a bronca paterna





