LUIZ GERALDO MAZZA
Vasos comunicantes
Nem tudo que é praxístico é legal. Igualmente nem tudo que é costumeiro tem o timbre da legalidade. Tráfico de drogas ou uma infração menor, como o jogo do bicho, também são consuetudinários, ligados aos costumes, mas estão distantes da lei. Isso tudo vem a propósito de um desembargador, que teria uma sobrinha nomeada na Assembleia, poder ou não, decidir um habeas corpus em favor do Bibinho e seus companheiros.
Provavelmente não é o único membro do Judiciário com parentes na Casa e se a declaração de suspeição atingisse outros teríamos generalizada desconfiança. No início das ações do Ministério Público havia a preocupação com o fato de o Procurador Geral de Justiça ter um irmão na hierarquia da Assembleia e outros parentes há muitos anos. Nada disso impediu que a investigação caminhasse. O desembargador alvo da denúncia já havia concedido o habeas corpus por motivações técnicas e doutrinárias, mas perdeu como voto vencido na câmara que examinou o caso. Nada há que o impeça de repetir o seu convencimento.
Fica bem claro que a sociedade cartorial é beneficiária da melhor linha de empregos em órgãos públicos e que poderia haver, como sugere uma anotação em ficha funcional, revezamento de um poder para outro. Intercâmbio de servidores é normal como também a proteção aqueles que não comparecem ou despistam, também delito de natureza mais leve. Isso nada tem a ver com aspectos mais graves das manipulações com fantasmas que em muitos casos nem sabiam que estavam sendo usados.
Que haja tolerância com casos de proteção dá até para entender. Já não se pode estender esse entendimento aquilo que é criminoso como o que se comprovou em desvio de recursos e em nome de terceiros. Leniência é possível com o cara que deixa o paletó na cadeira funcional, jamais com delito pesado.
Tranca rua
Antes tranca-rua era referência ao espiritismo de terreiro. Agora vereadores de Curitiba querem autorizar fechamento de ruas transformadas em condomínios, o que mostra apenas que desejam sobrepor ao interesse público o de natureza privada, tal qual, aliás, se fez com o Springfield que fechou a D.Pedro II.
Curitiba, há muito, perdeu seus referenciais.
Mirley na capa
A baroneza do sexo, Mirley, dá uma entrevista bomba na revista Ideias que sai no dia 1º de dezembro. Não se apressem em comprar as revistas nas bancas antes de saberem o que foi dito e publicado. A Ultima Hora fazia isso por aqui e quando haviam comprado as edições, o jornal mandava outra fornada de avião.
Refém do Ney
O neysmo manda no Coritiba: sua diretoria é refém do técnico que o lançou na série B e o devolveu à A. Ele indicou toda a comissão técnica substituta.





