Ciclos oscilantes

  Há quem divida a história em ciclos. No Brasil era axiomático fazê-lo na economia e em termos regionais tínhamos aqui os ciclos do ouro, da erva mate-madeira, café, lavouras brancas. O professor Borja Magalhães, numa tentativa de ajustar a história do Paraná vista pelas fases da economia, desenvolveu a tese de que não tínhamos, a rigor, ciclos, mas miniciclos dada a forma como enfim alguns deles se interpenetravam.
  No momento em que vemos a ansiedade do grupo vencedor das eleições, aliás se antecipando à posse com denúncias e alertamentos sobre dispêndios da gestão atual, às vezes num tom nervoso e até beirando o histérico, dá para fazer uma apreciação como esses momentos foram vividos em situações passadas. O maior desses episódios de ruptura foi o de Ney Braga, embora a relevância dos seus antecessores na obra comum de abertura do Paraná à ocupação dos seus espaços como a de Manoel Ribas que teve continuidade desbravadora com Lupion, a visão de futuro de Munhoz da Rocha que se iniciava com o ato básico da recuperação do Território do Iguaçu ainda como parlamentar.
  Até Ney Braga havia muito o que fazer e o ataque à infraestrutura foi fechando a malha rodoviária. Com Paulo Pimentel a continuidade de doutrina e de ação e a sequência dos governos de mesma identificação na ditadura com picos de planejamento como o de Parigot de Souza e de obras como o de Canet Júnior. Houve um dia em que a sensação de bem-estar era de tal ordem que o jornalista Hélio Teixeira, em reportagem na ‘‘Veja’’, declarou enfaticamente que o ‘‘Paraná estava pronto’’, tal o volume dos empreendimentos. Ainda bem que o ‘‘pronto’’ não era de ‘‘liso’’ e inadimplente, afinal o quadro de agora.

Tudo por fazer

  Se nesse tempo havia um clima de trabalho, perspectiva, não é o que se dá nesse momento. Há muito funções importantes de Estado mumificaram como é o caso paradigmático do planejamento e de outras rotinas tanto na Fazenda quanto na Educação que perderam o pique. E apesar da juventude do novo governador com seu relativo sucesso em Curitiba (relativo porque se trata de continuidade não apenas de um estilo de agir que vem de Lerner como também da persistência de uma duradoura ação de marketing que alcança o mundo nos prêmios recebidos por Luciano Ducci no exterior) não há nem um corpo de doutrina muito menos uma agenda de metas que tirem o Paraná da estagnação.
  A estadualização de programas municipais, como alguns têm enunciado, como o das creches ou o do ‘‘mãe curitibana’’ que o Serra prometia federalizar, pode até sinalizar alguma referência, mas peca pela ausência de coordenação eficaz e de haver qualificação de agentes. Outra questão invocada, a do monitoramento de gestão ‘‘por objetivos’’, não passa de uma assimilação de conceitos vagos e que pouco significa. Por exemplo: se havia objetivos definidos por que falharam projetos importantes como o do consórcio metropolitano do lixo, o fracasso notório do sistema de circulação da cidade-modelo e ainda a escassa resposta da licitação do transporte coletivo que consagrou o mesmo cartel e nada assegura que deterá a notória degradação do sistema. Será que uma dose de humildade conteria ao menos um pouco o oba-oba dos vitoriosos?

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