A joia da coroa
  Apesar de reconhecida como a ‘‘joia da coroa’’, a Copel perdeu aquela medida de seriedade e isso ficou nítido no encontro entre a bancada federal e os diretores da empresa. Só que quando estavam na oposição (esses que agora não querem que ela participe de leilões) nada disseram quando Requião colocou-a em risco nos leilões das estradas pedagiadas ou a manteve com tarifas deprimidas para posar de generoso com os usuários. A apologia da estatal desconhece que ela não dá hoje para comparar com a Cemig como ocorria no passado. A Cemig tem mais de 70 usinas e opera inclusive no exterior. Para cada R$ 100 que Copel e Cemig valiam em 1997, hoje a primeira vale R$ 300 e a segunda R$ 650.


Buracolândia
  Em Rio Branco do Sul um protesto bem humorado: os buracos das ruas foram batizados com nomes dos ilustres vereadores. Curitiba deveria copiar.


Refinamento
  O Bar Lusitano do Juvevê viveu anteontem noite atípica: a TV exibia documentário sobre Levi-Strauss e seu convívio com os índios no Brasil e a clientela, habituada à selvageria do futebol, se mostrava embevecida com ‘‘Tristes Trópicos’’.


Subiu
  O contrato para deposição do lixo no litoral vai custar 9 milhas, apenas o dobro do dispêndio dos anos anteriores. Há mais inflação do que urubus e ratos nesse monturo.

Obstrução
  Toda bancada pró-Beto Richa abandonou a reunião na CCJ ontem inviabilizando-a por falta de quorum. Obstrução parlamentar é legítima como o é também o governo limpar o caixa como sempre. Antes de Ney Braga assumir em 1961 Oscar Schrappe Sobrinho, presidente da Associação Comercial, pregou abertamente que os contribuintes se abstivessem de pagar os tributos por suspeitar do governo. Antecipou-se em anos ao ‘‘poujadismo’’ da França que se valeu disso como desobediência civil. Bem mais talentosa que a troca de ofensas entre richistas e pessutistas, expressão da nossa baixa credibilidade em termos nacionais.

Arrependimento
  O futuro presidente da Assembleia, Valdir Rossoni, promete transparência mais ampliada na Casa. Quando foi acusado de ter um piloto que o servia pago pelo sistema apressou-se em afastá-lo. Em direito se chama de arrependimento eficaz que é o contrário da renúncia para fugir da cassação, hoje algo hediondo, ainda que ferindo uma regra antiga, a de que a retroatividade nunca pode ser prejudicial ao réu. Foi pelo menos o que aprendemos na faculdade.

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