O caixa está mal
Uma ação popular na 3 Vara Federal da Fazenda Pública brecou ontem a pretensão do governador Orlando Pessuti de valer-se de recursos entesourados na APPA, Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina. Essa limpa de verbas ''industriais'' (Imprensa Oficial, Junta Comercial, Detran, etc.) é feita tradicionalmente pelos governos para atender o pagamento de duas folhas, a de dezembro e do 13º .
Ficou demonstrado, dias atrás, que a situação financeira não é lá muito boa no caso dos professores, quase três mil, beneficiários do processo seletivo simplificado, que estão sem receber salários desde agosto. Por sinal que hoje pela manhã no Palácio das Araucárias haverá manifestação de protesto e o senador Flávio Arns promete, em nome do novo governo, fazer a mediação.

Novidade
Desde anteontem está em operação o novo modelo de transporte urbano da capital e nem deu para notar qualquer diferença pela circunstância de que o cartel se mantém no domínio da situação. A novidade chegará antes do Papai Noel: o reajuste das tarifas para R$ 2,50. Ocorre que conforme a planilha de custos esse valor já deveria estar em vigor há, pelo menos, dois meses.
Uma das ideias em cogitação é aumentar a velocidade média dos ônibus o que nas condições atuais parece improvável. Uma das causas da estafa de motoristas e cobradores é a pressão exercida pelos fiscais da Urbs. Contestam a realidade de um sistema de circulação em colapso de um lado com isso e de outro com a ''indústria da multa'', cada vez mais aparatosa e sofisticada.

Hora da verdade
O tom das ofensas entre Requião e Pessuti é deseducativo, mas pode abrir via para troca de denúncias, o que não deixa de ter o seu lado pedagógico. Uma das divididas entre os dois se deu, anos passados, na Ceasa quando Requião, com informes da Ouvidoria, mexeu naquela dependência do então secretário da Agricultura Orlando Pessuti por supostas irregularidades. Este até está sendo elegante: não mexeu no caso dos dólares de Eduardo Requião, apesar da notória irregularidade de o Cope ter operado como ''juízo arbitral'' em cima da doméstica que afanou US$ 1,8 mil e a obrigado a um acordo e à devolução dos bens adquiridos. Incrível é que nem a Corregedoria da Polícia e nem o Ministério Público perceberam a distorção.

Lei Kandir
Governadores de oposição definiram a estratégia de lutar (e fazem isso na reunião de hoje de secretários da Fazenda) pela compensação das perdas com a Lei Kandir, aquela que desonerava produtos primários. As perdas desde 2005 chegam a R$ 19,5 bilhões. Querem que se inclua no orçamento de 2011 a cifra de R$ 7,2 bilhões.

Farsa
A lenda de que Curitiba é ecológica tem muito eco e pouca lógica: nem 20% do resíduo lançado no novo aterro da Estre em Fazenda Rio Grande é reciclado. Tanto que o primeiro resíduo lá jogado foi uma garrafa pet. Que farsa! Mas no imaginário das pessoas persiste a fantasia.

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