LUIZ GERALDO MAZZA
Censo e falta de senso
Como sempre - e não me esqueço daquele de 1980 quando o Paraná esperava 10 milhões de habitantes, conforme a Copel, e chegou ao 7 milhões e 600 mil - o Censo coloca em questão alguns temas-chaves como o das megacidades e a sua contestação em módulos menores mais palatáveis. Megalópolis como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte não são a forma mais civilizada de ocupar o solo, de organizar a urbe. Há exemplos no mundo inteiro de opções bem mais ajustáveis até aos interesses da economia porque áreas densamente ocupadas acabam gerando deseconomias, como se sabe.
Embora muito badalada por suas iniciativas de proteção das áreas verdes, de adotar uma linha de relativa sustentabilidade, Curitiba marcha para o caos, esperando-se já para 2012 o engarrafamento da circulação, o que desmoraliza a tão desejada mobilidade para a Copa do Mundo, dois anos depois. O processo de municipalização paranaense é razoável, embora mais agressivo do que o de Santa Catarina, onde a própria colonização cuidou de buscar solução mais harmônica nas vocações agropecuárias e industriais. É surpreendente que numa cidade como Ibirama, em que a maioria da população está no campo, há num minicentro urbano ao menos duas ou três unidades industriais de alta tecnologia.
Falta monitoramento
Em passado distante, quando havia planejamento (a última experiência foi a havida na gestão José Richa), uma das rotinas da área era justamente um tipo de monitoramento da questão do porte das cidades. As nove cidades com maior número de habitantes (Curitiba 1.686.247, Londrina 493.358, Maringá 349.860, Cascavel 283.193, São José dos Pinhais 254.556, Foz do Iguaçu 250.918, Colombo 208.805, Arapongas 104.010, Umuarama 100.025) se situam, logisticamente, nas duas regiões metropolitanas configuradas na época que eram a da capital e a Metrópole Linear Norte do Paraná no eixo Londrina-Maringá. Os conceitos mudaram com o estabelecimento de novas regiões metropolitanas até aqui mal institucionalizadas.
O drama dos gestores municipais diante do Censo é a perda que terão de muitos recursos de variados programas, razão pela qual se empenham na hipótese de obterem revisão dos dados. Há aqueles que perdem dramaticamente populações como os municípios da região do arenito Caiuá que sempre mostraram esse tipo de tendência. O governo não tem política de fixação das populações, embora se refira à questão do IDH, Índice de Desenvolvimento Humano, como se ele fosse uma espécie de indicador para ações públicas, o que está longe de ocorrer. Dentre os municípios que mais ganharam população aparece um, Tunas do Paraná, situado no bolsão de subdesenvolvimento do Vale da Ribeira. Saltou de 3.611 de 2000 para 6.242, acréscimo de 72,9%, o maior do Paraná. Único fator de monta indutor de desenvolvimento foi a rodovia BR-476 em direção à divisa paulista que pode ter deflagrado um surto novo de ocupação.
A inexistência de planos articulados de desenvolvimento econômico e social é que explica tanto espontaneísmo e ausência de racionalidade.





