LUIZ GERALDO MAZZA
O pau da barraca
Uma das deformações paranaenses é a acomodação, a vacina contra o conflito, o consenso se sobrepondo ao dissenso como se isso fosse virtuoso. Sabidamente não é, pois esses entendimentos em nome da conciliação acabam metabolizando as crises, as tensões. É preciso chutar o pau da barraca para que essa falsidade não prevaleça. Requião (deve ter entrado em órbita na segunda-feira quando a CNN veio aqui para encher a bola do Jaime Lerner) ao menos exerceu esse papel, embora na base da bravata e sem determinação precisa das acusações. De qualquer forma não apenas Lerner, mas figuras do seu primeiro escalão estão aí respondendo procedimentos na Justiça Federal, inclusive os decorrentes da CC-5 do Banestado podre de guerra. Isso certamente se dará com a turma de Requião, bastando um pouquinho de aplicação. Por sinal que o STJ acaba de ferrá-lo no caso dos abusos na ''escolinha'' e que configuram improbidade.
Para o bem do Paraná era preciso que houvesse um ato de ruptura decorrente do processo eleitoral com devassa, ampla e irrestrita, das contas públicas, da situação efetiva das empresas, algumas com notórias deficiências como a Sanepar. A ParanaPrevidência está ou não estourada? Como andam as finanças estaduais, o governo fecha o ano pagando todas as obrigações como o 13º ou pela vez primeira dá uma rateada?
Um aceno terrível
Nos primeiros papos tanto de Lula quanto de Dilma Rousseff um aceno hediondo: a ameaça, com a nova e favorável correlação de forças, da restauração da CPMF, Contribuição Provisória por Movimentação Financeira, o imposto do cheque. E isso também procrastina, retarda, qualquer preocupação com reforma fiscal, pois o governo não abre mão da hipertrofia quando tudo o favorece. O trilho é o trilhão que outro dia foi atingido.
Austeridade
A senadora eleita, Gleisi Hoffmann, criticou a pretensão de Beto Richa de confiar na União para resolver demandas paranaenses. A austeridade tinha um tom britânico, distante, como sempre, do mensalão e dos trâmites da Erenice na Casa Civil. Haja circunspecção.
Carcaça
Não há muita diplomacia na questão do lixo de Curitiba. Na Estre, que montou o aterro sanitário na Fazenda Rio Grande, ''alguém'' lançou na divisa uma carcaça deteriorada que juntou urubus. Em Curitiba nada é resolvido de forma satisfatória: do sepultamento das pessoas, ainda fator de constrangimento, até a deposição dos resíduos. Tudo mal encaminhado.
Folclore
O novo sistema de linhas de transporte em Curitiba, que consagrou a situação anterior, vai ter o primeiro teste com o reajuste das tarifas que está há muito defasado. Aliás o ''congelamento'' por cinco anos reelegeu Beto Richa e como entra em operação um novo sistema a alteração será inevitável. Mês passado a tarifa já deveria estar perto de R$ 2,50.





