LUIZ GERALDO MAZZA
Quem ganhou
No Paraná quem perdeu ganhou e quem ganhou perdeu. É o que se pode dizer do entrelaçamento dos pleitos nacional e regional. Há euforia do lado dos que perderam a eleição com Osmar Dias, especialmente Orlando Pessuti que está bem confiante na partilha de cargos a nosso favor, tanto que anteontem exibia seu triunfalismo na Boca Maldita. Já Osmar é mais contido, diz não ter a mínima expectativa de ser convocado para uma pasta ministerial.
A vitória esmagadora de Serra no Paraná projeta Beto Richa pelos números obtidos superiores aos de São Paulo. E tivesse um mínimo de ambição se colocaria como beneficiário desse processo e ao revés destaca justamente Geraldo Alckmin e especialmente Aécio Neves como futuros e possíveis postulantes à Presidência. Na verdade, ele superou Aécio que não venceu em Minas Gerais e isso, de certa forma, trava seu potencial.
Quem perdeu
A federação brasileira está longe de ser um mosaico de autonomias, já que o poder da União se sobrepõe a Estados e municípios às vezes tangendo o modelo de república unitária, tal a discriminação de encargos existente e a desigual partilha tributária. Essa mecânica institucional tem peso decisivo na relação com o poder central e por isso vamos depender de intermediários especiais como o ministro Paulo Bernardo que deve ser mantido na gestão Dilma como possível chefe da Casa Civil e num posto onde pode fazer mais pelo Paraná do que o ocorrido no Planejamento e na coordenação. Há outros porta-vozes, além dos eleitos, para esse tipo de engenharia.
Massa crítica
Tanto a circunstância de governar o Paraná, por parte de Beto Richa, como a de aproximar-se da União e da presidente Dilma Rousseff, obrigam o Estado a mobilizar-se em termos de massa crítica, estabelecer uma agenda prioritária de demandas nossas na infraestrutura econômica em portos, aeroportos, hidrovias, ferrovias e rodovias para que saibamos o que reivindicar e que possa deflagrar progresso em escala nacional. Aí, é indispensável recuperar setores da gestão pública que estavam marginalizados como o de planejamento. Em passado recente - e eu lembraria até do segundo governo Lupion - era mais fácil identificar as nossas mais candentes necessidades. Tínhamos a coordenação do Pladep, Plano de Desenvolvimento Econômico do Paraná, que possuía um razoável e até adensado estudo sobre nossas potencialidades e gargalos. Isso foi fundamental para a etapa que se seguiria com a instalação da Companhia de Desenvolvimento Econômico do Paraná, Codepar, que precederia o Badep, banco de fomento.
O tempo é meio curto para tudo isso, mas indispensável fazê-lo e tanto o governador que ganhou a eleição e perdeu a presidência como os que perderam a batalha regional e ganharam a nacional fixar bem o que se pretende que às vezes é bem mais importante do que obter ministérios.





