LUIZ GERALDO MAZZA
Rituais indispensáveis
Discute-se hoje se o governador eleito, mas ainda não empossado, teria poder de vetar iniciativas do gestor atual. O mandato tem prazo de validade como bula de remédio e qualquer tentativa de intromissão de parte não legítima, e principalmente não legal, soa deformada. Se tivéssemos, por exemplo, um caso de calamidade pública (incêndios, enxurradas, acidentes naturais e que por sua natureza exigissem ação imediata) o governante de plantão teria que agir, ainda que pudesse para efeito de medidas de médio e longo prazos buscar um entendimento conjunto.
O pior é que a discussão se dá em momento inadequado, o andamento de eleição plebiscitária. Quem corre riscos ao tomar iniciativas como a de enviar textos como o da Defensoria Pública, aspiração antiga, seguidamente reclamada pelos próprios deputados, é Orlando Pessuti porque a minoria de agora, que pretende ser a maioria de amanhã, quer mostrar serviço e pode perfeitamente tentar o recurso da obstrução parlamentar, dentro, porém, das regras do jogo e com o respeito aos rituais e liturgias do processo.
Não é o caso, porém, da má inspirada ideia, absolutamente descartável por excesso de prodigalidade, de lançar o edital da ponte sobre a baía de Guaratuba. Essa, sim, não tem visão de prioridade, prova de que não temos o menor senso de planejamento.
Festeiro maior
O líder da oposição sugeriu que Orlando Pessuti age com espírito festeiro e se esquece de que em matéria de oba oba o supera tranquilamente e tão somente para ter créditos como áulico da nova ordem, se é que a teremos. Claro que é mais fácil festejar quando o situacionismo tem sequência como se deu quando, por exemplo, João Elísio, que completou o mandato de José Richa, comemorou na residência do governador, adquirida do jornalista e cartorário Roberto Barrozo e hoje transformada em sede do Gaeco, a chegada dos novos tempos. Já quando a sucessão é do mesmo grupo, mas com atores rompidos, como se deu com Requião e Mário Pereira e se dá agora com Pessuti as coisas ficam mais complicadas.
Esquecem-se os tucanos que a eleição presidencial não está decidida e que figuras como o candidato derrotado, Osmar Dias, e o atual governador, poderão ter algum papel se a candidata da coligação for vitoriosa, o que pelo menos as pesquisas, embora com nível de credibilidade zerado, estão indicando.
Se foi criada uma comissão de transição, como é da praxe, por que não se tenta o esgotamento dessa instância para essas avaliações. Aliás precisamos saber a realidade fazendária, para início de conversa, tema quase sempre maquiado. Decorrente dele, a questão previdenciária, afinal estava certo aquele diretor que denunciou um furo de R$ 4 bi na ParanaPrevidência? E a Lei de Meios, já elaborada, abre perspectiva para chutes em matéria de metas e promessas feitas? Parece que não. Então os litigantes que calcem as sandálias da humildade porque tudo indica que o remédio será o da austeridade e cujo efeito secundário, indesejável, mas inevitável, é o do corte ao populismo.





