LUIZ GERALDO MAZZA
Greve na Assembleia
O sindicato dos trabalhadores no Legislativo, que até outro dia antes da prisão era capitaneado por Abib Miguel, provou claramente que, ao contrário, da Casa, está sob nova direção. Tanto que fechou-a temporariamente para que o deputado Nelson Justus responda à reivindicação da categoria que deseja, como já aconteceu com o Judiciário, Ministério Público mais o Tribunal de Contas, a percepção dos proventos correspondentes à passagem da URV, Unidade Real de Valor, simulacro de moeda de transição ao Real. Justíssimo o pleito, ainda mais num poder que nada em dinheiro, tanto o próprio como aquele decorrente de manobras exóticas.
Diante, inclusive, das denúncias de desvios de milhões de forma tradicional, mas nitidamente pouco ortodoxa, fica estranho o Legislativo repelir de pronto algo que uma regra de isonomia mandaria que a todos beneficiasse.
Repique
Por falar em Bibinho, ele contratou advogado para processar os promotores e procuradores de Justiça do Gaeco por exorbitarem no exercício das funções.
Tem todo o direito de fazê-lo, mas o Gaeco está habituado: já foi alvo, quando era ainda a Promotoria de Investigações Criminais, a PIC, de ações dessa ordem por parte dos grupos que investiga, chegando um deles a lançar uma bomba na instituição. No ''Mãos Limpas'' da Itália não poucos juízes e promotores foram mártires na luta contra as ''Brigadas Vermelhas'' e a máfia.
Uma sociedade aberta encontra sua dinâmica no conflito, coisa que não havia no Legislativo, onde a primeira das subversões estava na circunstância da Diretoria Geral sobrepor-se aos que efetivamente representam o poder, a partir de sua Comissão Executiva.
Neutralidade
O Partido Verde agiu bem em mostrar-se neutro em função do sentido opcional que foi a candidatura de Marina da Silva com trajetória muito semelhante à de Lula, que FHC considera um ''patrimônio nacional''. Liberou o filiado a fazer a opção como cidadão. Certa vez o cardeal dom Helder Câmara, e na Suíça que tem a tradição da neutralidade, disse, em discurso, que aquele momento mundial exigia opção clara das pessoas em relação à justiça, colocava em questão a postura helvética. Mas os candidatos ao se recusarem a lucidez, acatando o primarismo religioso, cada vez mais justificam o absenteísmo, a revolta do eleitor pelo voto nulo ou branco.
Terceirizadas
O governo estadual inventou uma ficção, um salário mínimo regional maior do que o paulista. E agora, como se estivesse empenhado em autofagia, quer que as empresas terceirizadas em contrato com o governo paguem aquele valor. Jamais se fez qualquer estudo sério sobre o mínimo regional e seu impacto no mercado. E o governo se empenhou em negar o mínimo nacional aos professores. Haja farsa nesse circo de horrores e bravatas.





