LUIZ GERALDO MAZZA
Protagonismo viável
Como o segundo turno nacional está confirmado o governador eleito do Paraná, Beto Richa, deve estar, ao lado dos eleitos de São Paulo e Minas, mais o senador Aécio Neves, na linha de frente da campanha de José Serra. Como as vitórias da oposição foram limitadas confere-se a esses governadores um papel importante nos rumos do PSDB. Se está difícil o DEM encontrar fundamentos mais sólidos para sobreviver, ao tucano não há alternativa que não seja a hipótese da resistência, bafejada e muito pela votação de Marina Silva que impediu a vitória de Dilma Rousseff.
O desempenho da coligação não foi lá essas coisas e perdas como as de Marco Maciel, Tasso Jereissati e Cesar Maia dão bem a medida das baixas que não se compensam com a vitória em Santa Catarina. O quadro de hoje é menos penoso do que o da eleição de 1965, a primeira do regime golpista, quando a oposição fez apenas dois governos, o do Rio de Janeiro e o de Minas Gerais, o que teria animado militares da ultradireita a uma intervenção, o que foi dissuadido pelo presidente Castelo Branco. O Brasil comemorou o feito por ser importante para a democracia esse confronto, capaz de suprir as deficiências notórias do primeiro turno pela pobreza de conteúdo da campanha.
Quanto à perspectiva de protagonismo do novo governador paranaense ela é possível, mas é preciso que se funde em avanços doutrinários e uma disposição muito forte para ir bem além disso e romper com o marasmo da nossa baixíssima representatividade.
Pesquisa derrotada
Institutos de pesquisa - Vox Populi, Datafolha, Ibope - foram os grandes derrotados. No confronto com os resultados finais ficou visível a falta de precisão, tanto nacional como regionalmente. Não tivesse o TRE permitido a pesquisa Radar e se sairia bem com as impugnações. Davam para o Senado o Gustavo Fruet com 20 pontos abaixo de Gleisi e Requião e no fim chegou em terceiro colado no ex-governador (23,1% contra 24,84%).
O PSDB tinha pesquisas internas diametralmente opostas às publicadas e quando os gráficos indicavam recuperação de Osmar Dias agiu rapidamente e comemora essa providência, no momento altamente impopular e vista como censura.
Inconformismo
Mesmo quando ganha, como se deu na eleição anterior para o governo em que levou a melhor sobre Osmar Dias com 10 mil votos, Requião se exacerba e não aceita a contingência. Dá para imaginar o quanto o seu ego está ferido com o fato de haver perdido da Gleisi e quase empatar com Fruet. O nervosismo virá à cena bem logo, no estilo que todos conhecemos.





