LUIZ GERALDO MAZZA
Ruim para todos
Tensão demais, inteligência e criatividade de menos. É o que se pode dizer do que houve nesses dias que precederam a eleição. Como ficamos no escuro sem as pesquisas, as coligações polarizadoras apelaram até o último instante para as mais vís formas de fraude. Desde o ''cochilo'' do TRE, que permitiu que a sondagem de um instituto provinciano, o tal do Radar, fosse veiculada e, mais do que tardiamente, a proibiu quando circulara intensamente na internet tudo passou a ser possível. No caso o ''arrependimento'' do tribunal não foi nada eficaz já que ainda anteontem aparecia em semanário engajado.
Canelada de lado a lado: Beto Richa ocupando irregularmente o horário dos candidatos ao Senado e, em seguida, Osmar Dias fazendo isso com o espaço dos deputados e sem tempo para o TRE restabelecer a normalidade. Não dá mais para emplacar ''Ferreirinha'' - que aliás, exemplarmente, ficou sem punição e, a rigor, sem julgamento, embora o nosso tribunal tenha, por unanimidade, em princípio cassado Requião, deixando de fazê-lo com o vice Mário Pereira, litisconsorte necessário)- mas tivemos panfletos apócrifos, partilha de cestas básicas apreendidas e outros sinais de bandidagem.
Como eram aliados de eleições recentes dá para ter um retrato do caráter de ambos que na compulsão da busca do poder tanto se aproximam como também se repudiam com ódio. Eles podem se merecer, todavia nós não os merecemos.
Provincianice
Editores de jornais consideraram o bloqueio das pesquisas como um ato provinciano, tacanho e autoritário. Também essas considerações servem para todos, pois ficou claro que quando Osmar Dias perdeu o pleito por 10 mil votos para Requião fez uso da tribuna do Senado para querer a responsabilização do Ibope e Datafolha, apresentando um projeto de sanções pelas imprecisões das suas sondagens. Fica nítido que político, de um modo geral, só aceita as tais pesquisas quando lhes são favoráveis, da mesma forma que na prática fogem aos fundamentos da regra do jogo democrático. Saímos mal, muito mal.
Cometido o erro pelo TRE, embora afirme que o fez centrado em boa doutrina, não podiam seus componentes permitir mesmo que qualquer outra pesquisa viesse a ser liberada, inclusive um recurso do Ibope, negado por 4 a 2. Não houvesse a falha da aceitação da pesquisa Radar, de Francisco Beltrão, contratada pelo chefe da campanha de Beto Richa no oeste, o tribunal poderia argumentar que agiu dentro do princípio da soberania do julgador, o livre convencimento.
Todos esses fatores, mais o desespero para vencer de qualquer jeito, bota em risco o processo de hoje e se de um lado exige vigilância redobrada do TRE e da polícia mostra-se aberto a abusos na boca de urna. Ganhamos característica de feudo, caricatura que fazíamos dos nordestinos. Nas eleições de 1982 para cá, em nada menos de 28 anos, apenas quatro famílias estiveram envolvidas na disputa governamental: Richa, pai e filho; Requião (três vitórias e uma derrota); os Dias (Alvaro e Osmar, quatro vezes) e o Lerner, duas vezes.
Esperamos que não se acirre o vexame na data de hoje. É demais.





